segunda-feira, março 05, 2012

Sem....




Sem querer saber de nada. sem querer saber de porra nenhuma. tirando uma ou outra situação pontual, porra nenhuma. vive e deixa viver,é o lema. nada de confusões. o absurdo desta guerra toda é tão grande que tirou qualquer veleidade ou fantasia de revolta ou de indignação. assiste-se à agonia de um povo enquanto comunhão de identidade, unidade cultural, ou qualquer sentimento comum de orgulho e independência nacional. quem tenta resistir, denunciar é louco, lunático, utópico, ou piegas, na ironia papalva de um cangalheiro sem moral, nem resquícios de vergonha. comem, porém, ajoelhados perante a vontade dos poderosos senhores do mundo. um povo sem alma nem auto estima só pode parir abortos sem coração nem razão que lhes assista. o ridículo de maldizer quem se entroniza: é a triste realidade: em trinta anos pelo menos 80% dos votos expressos em eleições em Portugal foram sempre, sempre nos mesmos tipos que são imediatamente alvo da indignação, do insulto e da chacota por parte daqueles que os lá meteram e que o voltam a fazer em nova oportunidade criando um círculo vicioso de autoflagelação difícil de entender a não ser que partamos do princípio que está tudo errado e a terra é quadrada e o sol é que gira em volta dela, fomos todos enganados desde o princípio, qual povo de navegadores qual carapuça, nunca saímos da banheira, o pacóvio de Santa Comba presente em todas as homilias, virgens santas ou nem tanto cantando hemorragias menstruais impondo o criacionismo por montes e vales, cidades e vilas, Darwin enforcado nos fios com que nos atam ao destino, porca miséria, porca de Murça, eu sei lá, nada disto faz sentido.
Nos Ferraris da inveja que os conduz à subserviência estampam-se todos os dias milhares de pobres de espírito. O medo faz o resto. Dos heróis e heroínas de carne e osso não se faz eco. Caso típico: um punhado de operárias luta uma luta desigual contra um patrão que é um escroque, uma justiça que não funciona, um país que as ignora, senão que as hostiliza. Mas são tão poucas diz alguém, onde estão os outros? No quentinho, amigo, que se a luta vencer eles também ganham, se não der em nada pelo menos não se chatearam, nem fizeram figuras ridículas afrontando o que já sabiam que nunca conseguirão vencer, é mais que sabido, assim talvez ainda lhes calhe qualquer coisinha, uns restos, uns ossinhos...os poltrões, cambada de poltrões que não vale nada mas que se arrogam a tanto.

Presto aqui a minha homenagem solidária usando o exemplo das operárias da fábrica de porcelanas Bonvida a todas e todos que lutam com dignidade e coragem na defesa dos seus direitos.

Redfish