terça-feira, junho 19, 2012

Uma constatação, dois agradecimentos e vários desabafos

As coisas são como são, comenta quem sabe, tudo tem uma explicação racional, acrescenta ainda, mas eu que não sou de intrigas e só tenho a certeza de que tenho muita dúvida por esclarecer, vejo-me grego para atinar com o meu novo modo de ganhar a vida. Honra seja feita a todas e todos que ao longo destes 54 anos me mitigaram a sede e a fome e a quem muitas vezes acusei de inépcia e contra quem vociferei indignado pelo tempo de espera, pelo fino mal tirado, por tudo mais um par de botas que agora, numa reviravolta à campeão me cai em cima como um castigo dos deuses, que devem estar loucos, só pode, para me atazanarem assim. Foi uma semana de arromba e entre mortos e feridos penso que o balanço é positivo, prometendo mais e melhor para o futuro que espero breve. A tod@s @s que com paciência e coragem nos deram o prazer da comparência e o apoio tanto nas críticas como nos elogios - sabem tão bem quando os sentimos sinceros (pois é!!!) e tantas vezes nos esquecemos de os fazer - agradeço de coração, este coração meio chanfrado por paixões e razões que se renovam, neste permanente viver a sonhar acordado.
Decididamente, abrir latas é saudavelmente tramado. 
Entretanto, alheio a tudo isto, o povo Tuga urra de alegria a cada pontapé certeiro que, lá mais para leste, os rapazes da Selecção vão dando. Magro consolo para quem se vê cada vez mais triturado pela voragem dos "come tudo", este de se lhes equiparar ou até, quiçá, superiorizar na futebolada, mas mesmo assim, fraquito, é consolo. Já não atino é com os palermas que saem de casa e andam pelas ruas a apitar que nem doidos, como se fosse assim, alguma vez, forma de se festejar o que quer que seja, quanto mais uma vitória num jogo de futebol. São os chamados cérebros de apito, ou mais eruditamente, Buzinatus Cabeçudus que proliferam como cogumelos nestas alturas de festarola de contornos nacionalista-popular. Como a gasolina está barata, andam às voltas por tudo quanto é rua ou ruela, riem contentes como se fossem muito felizes e depois desaparecem para os poisos obscuros de onde bem podiam não ter saído. Como de costume, o Governo agradece, pois por uns tempos pode "trabalhar" à vontade, que está tudo anestesiado.
Estou como hei-de ir, por isso me despeço e desejo a todas e a todos que no verdadeiro campeonato, o da vida, não deixemos ganhar sempre os donos da bola, que é como quem diz....



domingo, junho 10, 2012

É preciso ter lata!!









 Meus amigos:
A vida tem destas coisas. Um dia, sem saber como alguém vê a sua vida dar uma grande volta (mais de 360º como diria o grande João Pinto), o que na enciclopédia do disparate não é melhor nem pior do que o que outras sumidades vão debitando, e além do mais enquadra-se como uma luva no que me sucedeu.
Depois de amigavelmente e por mútuo acordo eu ter sido obrigado a abandonar a empresa onde durante quase 25 anos me habituei à cómoda vida de empregado por contra de outrem, eis que esta me dá uma excelente oportunidade de vida. Aos 54 anos, 2 filhas ainda casadoiras e que contrariamente às princesas dos contos de fadas (embora sejam mais lindas as minhas princesas) comem e bebem como qualquer mortal. Pois bem, tendo esta excelente oportunidade de vida – UAUUU, que bom, estou sem emprego e ninguém me quer por causa da minha idade, bué de fixe – resolvi dar razão ao troglodita que como 1º ministro do coiso nos enfastia com tiradas muito menos engraçadas que as do João Pinto, mas igualmente calinas e empreendedorizei-me (eh,eh,eh!)
Assim, nova corrida, a mesma viagem, mais uma história, e nasce o ABRELATAS, espaço que espero ver crescer com calma e bom ar, que espero partilhar convosco. Abriu ontem, dia 9 de Junho, e como dizia Warezoog, filósofo que eu não conheço mas que se embebedava comigo e com o meu padrinho Paulo Archer, “nós só sabemos o que valemos quando alguém nos compra”. Oxalá gostem da ideia. Cá estarei à vossa espera.
Um abraço
Zé Peixoto


 Numa justa homenagem àqueles que com a sua labuta fazem chegar aos portugueses o peixinho que eles comem e que enche a grande maioria das conservas que vendemos ( no ABRELATAS só vendemos produto nacional) os trabalhadores desta novel empresa adoptaram como hino esta lindíssima canção do GAC. Todos os dias encerraremos a nossa labuta com o som do Ir e Vir. Viva a justa luta dos pescadores da sardinha. Um abraço sincero ao meu grande amigo Piló!

segunda-feira, abril 30, 2012

Até sempre, Miguel

Sabemos que a vida é assim. Ou pensamos saber. Mas quando levamos a cacetada é como se nada soubéssemos. A verdade é que nunca estamos preparados. Ainda bem. Com o coração não se brinca.
Depois fazemos as contas, mais a frio. Tem que ser. Por muito que nos doa a vida não pára, esta corrente
que nos empurra para o amanhã não quer saber para nada dos que ficam para trás. Porra de madrasta, esta vida que tão desleixada com os seus parece ser (nesta parte imagino o Corto Maltese cortando a palma da mão para aumentar a linha da vida).
 Mas o caminho já não é o mesmo. Ontem com os olhos marejados de lágrimas fitei incrédulo a realidade da tua partida, nos rostos dos amigos a mesma dor, o porquê, a revolta, no fim a impotência. Hoje, a recapitulação, o recordar do bom que foi tu teres vivido, mesmo que cruelmente interrompido tão perene o teu viver, como o facto de teres existido pôde ser tão bom para tantos, quantos nem podemos imaginar. Saberemos a falta que nos fazes, saberemos a cada dia que passe a dimensão dessa ausência. Podemos afirmar com segurança que ficamos todos muito mais pobres. Todos nós, portugueses, conhecendo-te ou não, adversários ou amigos, todos perdemos. Nós, os que te conhecemos, que tivemos esse privilégio, teremos sempre a ajudar-nos o teu exemplo, a dignidade da tua luta, a tua entrega.
É verdade que nada disso és tu. Mas também sabemos que nada honrará mais a tua memória do que continuar  o teu (nosso) combate, esse sonho por um mundo mais justo e fraterno para todos.
Hoje foi a tua homenagem. De todo o mundo vieram lindas mensagens cheias de gratidão e tristeza pela tua partida. O orgulho que elas me provocaram. Orgulho pelo Homem que tu foste, orgulho por ser teu camarada.
Foi bonito de se ver, pá.

terça-feira, abril 24, 2012

Miguel Portas faleceu

Miguel Portas faleceu     

       Nesta hora em que as palavras não chegam, apenas quero dizer: Miguel, que orgulho eu tenho por te ter conhecido, que orgulho enorme em ser teu camarada. Até sempre.

 

domingo, abril 01, 2012

Com a verdade me enganas ou já não tens dentes para mentir?

Percorremos caminhos cheios de escolhos. caminhos que vamos ajudando a fazer com a nossa apatia, o nosso silêncio, a nossa triste resignação, ela própria filha do nosso triste fado.
Fazemos ouvidos moucos ao futuro e qualquer treta impingida em horário nobre é uma verdade absoluta que não carece de demonstração.
O fim do mundo começa na Grécia, como nos querem fazer crer, mas de lá, um 1º ministro maltrapilho - como nos querem fazer crer - ainda tem tempo de mandar recados ao nosso bem amado - como nos querem fazer crer - Passos Coelho. Diz o pobretanas que ao extinguir o Ministério da Cultura o nosso governo deu uma péssima imagem do nosso país, coisa que eles mesmo vendo-se gregos para satisfazerem a voracidade dos da Troika nunca fariam. Esbanjadores - vocifera o povo patarata e patrioticamente crente - que aprendeu que a Grécia é o lado negro de uma realidade que está tão longe daqui como Plutão, o tal planeta que afinal era como as promessas do Passos Coelho uma mentira, um planeta do 1º de Abril, mas que na realidade mora aqui mesmo, na cabeceira da cama que fizemos e onde agora ninguém se quer deitar, nos BPNs e nas auto estradas que serram a nossa paisagem em cortes sangrentos de euros e de vida.
Um país que não o é, piada de dia 1 de um Abril perpétuo que acreditámos que só tinha o dia 25, mas que a fada má e os seus fadilhões se encarregam de nos mostrar como entre a matança do porco e a festança há quem fique com o presunto todo e há quem roa os ossos...do ofício.
Em Leiria, não chove nem sai de cima. Esta seca que tem a única virtude de impedir que os do costume descarreguem as suas entranhas impunemente na ribeira que há muito não é de milagre nenhum mas dos Milagres se chama, paira sobre esta cidade que secou há muito as fontes donde jorravam as suas memórias. Perdidos numa ilusão de novidade que se desmente a si mesma, os leirienses estagnam e procuram em vão as moiras encantadas que lhe disseram crescerem como papoilas nos campos do Lis. Excepções: a excelente exposição da não menos excelente pintora leiriense Sílvia Patrício, que esteve patente até dia 31 no Banco de Portugal; a garra e permanente criatividade de alguns quantos agentes culturais que apesar do desinvestimento do governo/autarquia/vereador na promoção e apoio à Cultura na região, no teatro na música, na dança, na fotografia e na pintura, têm sido justamente elogiados pela sua entrega e qualidade dos seus trabalhos.
Entre o princípio e o agora destas linhas começou a chover. Ou muito me engano ou esta noite vai haver merda na ribeira. Oxalá me engane. Esta chuva faz muita falta, não precisa de efeitos colaterais. Muito menos deste género e que se repetem há tantos anos. Tantos que até pensamos que é mentira.

Redfish

O grande José Afonso

quarta-feira, março 21, 2012

segunda-feira, março 05, 2012

Sem....




Sem querer saber de nada. sem querer saber de porra nenhuma. tirando uma ou outra situação pontual, porra nenhuma. vive e deixa viver,é o lema. nada de confusões. o absurdo desta guerra toda é tão grande que tirou qualquer veleidade ou fantasia de revolta ou de indignação. assiste-se à agonia de um povo enquanto comunhão de identidade, unidade cultural, ou qualquer sentimento comum de orgulho e independência nacional. quem tenta resistir, denunciar é louco, lunático, utópico, ou piegas, na ironia papalva de um cangalheiro sem moral, nem resquícios de vergonha. comem, porém, ajoelhados perante a vontade dos poderosos senhores do mundo. um povo sem alma nem auto estima só pode parir abortos sem coração nem razão que lhes assista. o ridículo de maldizer quem se entroniza: é a triste realidade: em trinta anos pelo menos 80% dos votos expressos em eleições em Portugal foram sempre, sempre nos mesmos tipos que são imediatamente alvo da indignação, do insulto e da chacota por parte daqueles que os lá meteram e que o voltam a fazer em nova oportunidade criando um círculo vicioso de autoflagelação difícil de entender a não ser que partamos do princípio que está tudo errado e a terra é quadrada e o sol é que gira em volta dela, fomos todos enganados desde o princípio, qual povo de navegadores qual carapuça, nunca saímos da banheira, o pacóvio de Santa Comba presente em todas as homilias, virgens santas ou nem tanto cantando hemorragias menstruais impondo o criacionismo por montes e vales, cidades e vilas, Darwin enforcado nos fios com que nos atam ao destino, porca miséria, porca de Murça, eu sei lá, nada disto faz sentido.
Nos Ferraris da inveja que os conduz à subserviência estampam-se todos os dias milhares de pobres de espírito. O medo faz o resto. Dos heróis e heroínas de carne e osso não se faz eco. Caso típico: um punhado de operárias luta uma luta desigual contra um patrão que é um escroque, uma justiça que não funciona, um país que as ignora, senão que as hostiliza. Mas são tão poucas diz alguém, onde estão os outros? No quentinho, amigo, que se a luta vencer eles também ganham, se não der em nada pelo menos não se chatearam, nem fizeram figuras ridículas afrontando o que já sabiam que nunca conseguirão vencer, é mais que sabido, assim talvez ainda lhes calhe qualquer coisinha, uns restos, uns ossinhos...os poltrões, cambada de poltrões que não vale nada mas que se arrogam a tanto.

Presto aqui a minha homenagem solidária usando o exemplo das operárias da fábrica de porcelanas Bonvida a todas e todos que lutam com dignidade e coragem na defesa dos seus direitos.

Redfish







quinta-feira, fevereiro 23, 2012

terça-feira, janeiro 24, 2012

Petição Pedido de Demissão do Presidente da República

Petição Pedido de Demissão do Presidente da República


Eu já assinei. Porque mesmo assim já é tarde. Porque nunca devia ter sido eleito. Porque não deveria ter podido candidatar-se. Porque o povo português merece mais respeito, este humilde peixinho vermelho incluído!

Redfish

segunda-feira, janeiro 23, 2012

JOSÉ LUÍS ALVES PEREIRA

Gostava muito de Brel e de pintura. Nunca mais poderei ir a uma exposição que não me lembre dele. O Zé ajudou a pintar de cores mais bonitas o quadro que é a minha vida, com a sua amizade, o seu carinho. Partiu inesperadamente, levando com ele o seu sorriso fraterno, a sua solidariedade permanente, a sua integridade de homem livre e vertical. Deixa uma imensa saudade e uma rede infinita de amizades e partilhas. Como canta o seu grande amigo Manuel Freire, "se ao morrer um coração, morresse a luz que lhe é querida, sem razão seria a vida, sem razão". Eu sei que assim é. Pela minha parte, nunca o esquecerei.


segunda-feira, janeiro 16, 2012

O lixo do Lixo -

Sabemo-nos todos gente sem paranóias de maior quando nos pensamos perante dificuldades com que nunca nos deparámos. Somos extraordinários e eficazes nesta demonstração teórica de que com o mal dos outros podemos todos muito bem. Melhor ainda é o nosso sentido crítico e o pronto sentido de justiça com que brindamos o parceiro do lado quando o vemos a afundar-se seja em que maré for. Há sempre uma justificação nada científica e muito preconceituosa apropriada a cada caso e omissa em relação ao material comparativo que somos nós, os próprios, colocados alternadamente e sem critério na posição de juízes ou como estabelecedor de paralelismos mas no grau comparativo de superioridade. O pobre é-o porque não quer trabalhar, o doente é-o porque fuma muito e não tem cuidado nenhum com a saúde, o que faz greve é porque não gosta de trabalhar, se não gosta de futebol é maricas, se é homossexual é maricas e é doente, se bate na mulher é porque é corno, ou noutra versão ainda mais abrangente, porque ela é uma vaca e mais não digo pois o meu tempo e a sua paciência são limitados, tantos seriam os exemplos.
Lado a lado, nos transportes públicos, nos cafés, nas repartições, cinemas, lares, onde quer que seja, pessoas de todas as raças, sexos e géneros partilham informação que interiorizam e analisam de forma diferente segundo os seus parâmetros de avaliação, que variam com a experiência, cultura e sensibilidade que cada uma transporta como bagagem pessoal. Por isso o mesmo fenómeno terá explicações diferentes e motivará reacções também diversas. Mas há uma mediana nesse tipo de reacções que é como um comportamento "mainstream" , que é assente em bases medíocres ( tanto a nível cultural, como académico e até humano), que leva à rejeição do que é novo, à desconfiança, ao desprezo e até ao ataque, por vezes físico e violento contra o que não se compreende. Contudo, muita desta arrogância parte não da valorização do "eu", mas antes pelo contrário da constatação das próprias limitações e do medo do enfrentar de desafios. Por isso a lambebotice, por isso a aceitação da escravidão, por isso o perpétuo manter de velhos dogmas, por isso a fossilização desta pseudo-elite medíocre e corrupta nos diversos poderes, que vive não das suas capacidades, mas do aproveitar das nossas fraquezas. As minorias, os que pensam diferente, são olhados como fenómenos anormais e etiquetados entre o ridículo ou a ameaça. Tudo o resto é espectáculo, nesta sociedade onde se valoriza mais o ter do que o ser, onde o sucesso é a meta, e está à venda em qualquer quiosque nas revistas de sociedade, ou nas casas sem segredos de qualquer programa reles de televisão.
O Paraíso, afinal, já não mora aqui


quarta-feira, dezembro 28, 2011

Pequenos prazeres: sou um Príncipe dentro das minhas meias.

Estou sentado no sofá. Na televisão - contrariando o hábito masoquista de assistir manietado ao desfilar de saberes e sabores para todas as crises e gostos, mais os que na misericórdia infinita das suas ejaculações estatisticamente precoces com gráficos vomitados ao sabor das correntes que ignorando a evidência querem o rio da história a correr da foz para a nascente, como se a lei do dólar tudo justifique, inclusive o desastre nuclear desde que bem avaliado por uma agência de rating, ou no caso de o opinador ser nacionalista, pela real puta que o pariu - passa o DVD com o espectáculo de Peter Gabriel com a New Blood Orchestra, gravado em Março deste ano que se apressa ao suicídio, em Londres. Fabuloso é pouco para descrever o que estou a "ouver". Neste reino que partilho com 3 princesas e uma gata, temos ás vezes momentos assim. Acontece quando calha, mas normalmente estou dentro das minhas meias, satisfeito e penso menos mal do mundo. Fica mal a um peixinho, mesmo vermelho dizer certas coisas, pensaria certamente o senhor doutor fulano de tantos, comendador obrigado, comentador encartado, bajulador invertebrado y coisa y tal, mas eu sacudo as barbatanas com desdém e mantenho a minha: o que é bom é bom e o nosso governo é uma bosta, sem precisar de ser testado ou passar pela vergonha de ser confrontado com coisa melhor. Haverá coisa pior, não desminto quem o diga, mas esta peçonha neoliberal que se apega às almas como o fungo ao queijo não tem a decência de contribuir para o fim da crise com a única medida que poderia tomar sem fazer mal a ninguém: suicidar-se investindo com a cabeça contra uma parede cheia de pregos! Não defendem eles o investimento acima de tudo?

terça-feira, dezembro 20, 2011

Problemas gastronómicos

Um coração está muitas vezes fora do seu juízo quando detesta o que ama?
É impossível considerar abjecto aquilo de que se gosta?
Odiar de morte o que nos dá prazer?
É possível, é possível sim.
Porque julgam que deixei de comer cherne e agora só o cheiro de coelho me agonia?

Este é um exemplo de escrita sem vontade. Vim apenas para mostrar a quem tem o hábito, o azar, o prazer ou outra qualquer razão para aqui vir, que este cidadão que sou eu, detesto, odeio, tenho raiva e sinto desprezo, por tudo e todos que se relacione com este governo que mais do que um governo parece uma casa de alterne.
Isto não é um desabafo. É um estado de alma. Espero bem não ser o único a sentir assim. Se formos muitos, talvez a energia faça tremer os céus e a terra, os oceanos enfurecer-se e os ventos bailar desordenados. Se formos muitos, talvez de uma vez por todas este povo de anémonas com hormonas retardadas ganhe coragem e ouse a revolta. Talvez consigamos obrigar o Passos Coelho e a sua rapaziada a emigrar e para longe, onde não haja nem sonhos nem memórias, nada a não ser areia e esquecimento. Um lugar de onde não possam voltar, nunca mais. Para que eu recupere o prazer de comer uma boa coelhada. Acreditem que só por isso vale a pena.
Entretanto, ali, num Petit pays logo atrás do mar azul, chora-se por uma voz que o tempo não vai calar. À grande Cesária a minha pequena homenagem.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

O dia em que o Diabo perdeu a mão





O dia em que o Diabo perdeu a mão
Coincidiu com o dia em que a honra perdeu o juízo
Todos nós rimos e brincámos com a situação
Menos a Pátria que se sentiu enxovalhada

No Sábado era dia de Todos os Santos
Resolvemos ir à praia
Como não marcaram eleições
Nesse dia comemos frango e salada

Dias depois, chovia muito
A Pátria partiu para a Alemanha
Foi sozinha sem os putos
Que ficaram à guarda de um polícia

Como todos os putos
Tivemos todos muitas saudades
Mas depois com a brincadeira
Nunca mais nos lembrámos disso

A parte chata desta história
E com essa é que não contávamos
É que para pagar as aulas de inglês
Tivemos que partir os mealheiros

sexta-feira, novembro 18, 2011

Como obter dos outros aquilo que não quer: pequena história de pequenos homens.

Há muito que me arrasto pelo desejo de vir aqui debitar as minhas mágoas sem forças depois para carregar no teclado,
o que me faz ficar absorto, quieto, a pensar sei lá em quê,
no Mar Morto ou no preço do café
todo torto, e dormente dum pé
A teoria, todavia, contraria
a explicação que obterão na ocasião
pois varia, quem diria, com a alegria
que há ou não, no coração, deste escrivão

Posto isto e mais o que se amanhar
não resisto a extirpar
o bem visto e exemplar
quisto com pernas que nos está a governar

Quisto ou tumor
aborto ou carraça
petisco ou estupor
nado-torto ou apenas chalaça

Chalaça de mau gosto
cachaça com fogo posto
trapaça com mosto
arruaça em Agosto

Tudo o que já leu
tudo o que não viu
sortudo camafeu
faz tudo que o pariu

Vida de artista
servida à equilibrista
pedida por quem resista
querida masoquista

O mito está enfermo
o pito do estafermo
o fito do governo
caralhito eterno

Nada disto resulta do controle emocional do pensamento corrente, nem da balburdia dos sentimentos em revolta. Apenas da confusão de quem à deriva, vê um país à bolina, com o norte desnorteado de culpa, marinheiros sonolentos em viagem para os exílios, alcoólico fervor da mortandade leviana e cristã. Nada disto faz sentido fora do sentido em que catastroficamente nos movemos e definimos como único. Nenhuma coerência nos pode ser exigida pois a diarreia também flui como um rio sem controlo e ninguém a tenta agarrar. Sejamos então justos:

Como podem criticar o que aqui é dito? Não percebem? Que importa? Aceitem-no com a mesma complacência que tem sustentado a política deste governo que ninguém percebe, a não ser que se aceite o assassínio como uma das belas artes e o suicídio como um sucedâneo um pouco menos refinado, apenas, mas também bastante sedutor e equilibrado na resolução de problemas. A não ser que nos tenhamos tornado naquela espécie de vermes que se entretém calmamente a ser devorada por todas as bestas que habitam as florestas mais recônditas dos nossos inconfessáveis desejos. A não ser que tenhamos desistido de todo de ser.

Eu que hoje sou apenas mais um peixinho que ruma sem cardume neste mar de lágrimas, rogo- vos que não se abstenham por mais violentamente que seja. Pacificamente, actuem, lutem.

Vosso, Redfish




domingo, outubro 23, 2011

Aviso à navegação

"Quem ainda está vivo nunca diga nunca,o que é seguro, não está seguro, as coisas não continuarão a ser como são. Depois de falarem os dominantes falarão os dominados. Quem pois ousa dizer nunca?" escreveu um dia o grande B. Brecht. E eu, que não sou de intrigas estou aqui a fazer umas figas para que isso seja verdade e que eu veja. Não peço grandes mudanças, nem coisas estrambólicas. Apenas que isto vire tudo do avesso.
Nem sequer sou muito original nesta questão. Não sou o primeiro, nem serei o último com esta vontade. Serei, quando muito, um dos mais inoperantes agentes de mudança já vistos, mas isso muda, tudo muda, mesmo o que se pensa que ficou na mesma, mas esta vertigem arteriosclerótica que nos empurra para o conformismo pode ser vencida, eu sei que pode, está provado por milhares de mulheres e homens antes de mim, gente que mudou a vida, fez História e não consta que tenha acabado ainda o Tempo, esse caprichoso modelador de vontades e de inconformismos, para um novo "levantamento de rancho", utópico e criativo, poderosamente romântico, justamente cruel, imparavelmente libertador!
Eu fico assim quando misturo vinho na sopa de letras, já mo disse a minha amada, eu sei que é um defeito mas há bem pior. E gosto. Gosto de pensar que é possível. Terrivelmente possível e belo. Bastava só combinar tudo bem combinadinho. Com a gente de cá, assim sem dar nas vistas com amigos em Espanha, que pudessem passar a palavra aos franceses e assim por diante, gregos, alemães, irlandeses e por aí fora. Depois, era só cada grupo em seu país correr com os parasitas e quem os apoiar. Nós cá era mandar o Passos prá coelha que o pariu mais o seu governo de anémonas, todos num molhe e com ordenados mínimos para saberem o que é ser português no país que eles estão a matar, junto com os Amorins, Belmiros e outros bandidos para um offshore qualquer onde valessem menos do que a bolsa de um pedinte e de onde não pudessem nunca mais fazer mal ao mundo, enquanto ouvíamos nas rádios e nas televisões já extirpadas de comentadores encartados e lambe cus profissionais, enfim livres e plurais, as notícias de que os povos em todo o lado se iam libertando dos seus opressores, lá como cá, a esperança a tomar o lugar da ganância e da corrupção, uma nova Europa, o Manu Chao a cantá-la e a festa da reconstrução, da cidadania e do respeito, do direito de todas e todos a viverem uma vida de felicidade e progresso.
Lá fora chove, e bem. É um começo. Estou certo de que sim. A minha amada diz que é efeito da mistura. Mas eu acho que não. Se todos nós quisermos. E podemos começar já. A falar com os amigos. Com as amigas. Discutir ideias, propôr caminhos, ganhar solidariedades. Depois, no dia 24 de Novembro, vamos ser muitos, mas mesmo muitos no mesmo barco. Os que não forem são os ratos que desta vez nem chegam a embarcar. Sempre houve e haverá quem se corte, por oportunismo ou cobardia, até por simples inércia, alguns não nos acompanharão no combate. A história dirá depois o que deles se souber. Eu, que sou apenas um pobre peixinho, por mim, quero poder olhar directo nos olhos das minhas filhas.


Redfish


terça-feira, setembro 20, 2011

Os testículos de Midas

Este blogue vai gaguejando a sua história, cada vez com mais impaciência. Se é verdade que me entretenho e gosto de escrever, também é verdade que a voragem de trampa que vai emerdando o nosso quotidiano é tanta que me desanima a escrever, pois não posso simplesmente ignorar o que se passa e vir para aqui apenas por vir.
Pensando em como resolver esta contradição, depois de me agoniar a ouvir a conversa amável que o Pedrinho de (algum) Portugal teve na RT(Portuguesa, até quando?), e tendo em consideração que a tal conversa não me enojou mais do que o previsto e, por outro lado mexeu com recantos menos usados do meu pequeno cérebro, resolvi trazer aqui o mito de Midas, o tal rei, bom homem, diz quem sabe, a quem Baco, agradecido por Midas ter cuidado do seu velho e bêbedo pai Sileno, lhe conferiu, a seu pedido ( vejam lá o chico esperto), o poder de transformar tudo o que tocava em ouro. Conta a lenda que não demorou muito a aperceber-se que tinha feito asneira, pois se tudo o que tocava logo em ouro se transformava, nem abraçar a filha pôde, que ela virou estátua dourada, nem comer, que a perninha do frango ficou a mais valiosa de todas mas incomestível, pois por muito que brilhe, ouro não se mastiga, nem digere, e assim é certo que iria morrer de fome, mas o mais importante, foi quando ele, gozando uma pausa e como qualquer macho humano que se preza quis usar do direito mais elementar que a viril ( as sumimos que sim para não complicar, tá) estirpe, do mais humilde ao mais poderoso, usufrui: coçar tomate! E foi quando a sua mão se dirigia apressadamente na urgência de uma comichão incómoda aos testículos, que Midas teve a visão aterradora do que seria a sua exstência futura se persistisse em querer tanto e tão fàcilmente alcançável ouro! Conta a história que ele correu apressadamente a Baco a renegociar o pedido que fizera e que este, na sua infinita bondade ( já não se fazem deuses assim, infelizmente), o livrou do seu poder lavando as mãos no rio Pactolo, com cujas águas aspergiu todas as coisas que transformara e que voltaram a ser o que eram.
Foi isso que aconteceu a Warren Buffet,ele que é constantemente citado na lista das pessoas mais ricas do mundo, sendo o terceiro homem mais rico do mundo em 2010 e que numa versão mais moderna poderemos comparar ao tal Midas. Ele teve a visão de Midas e viu que a ganância imensa dos mais ricos e poderosos do mundo está prestes a matar a galinha dos ovos de ouro, desculpem eu estar misturar fábulas, mas aqui a história dos testículos do Buffet não sei se teria cabimento, e esta serve adequadamente os meus propósitos. A questão é esta: a sugar tudo a toda a gente, os recursos do planeta a serem consumidos alarvemente, essas bestas arriscam-se a ser donos de um imenso deserto dourado, sem nada mais para alimentar a sua ganância.
Ser taxados para eles nada significa, mas esse nada deles significa a salvação de muitos outros, aqueles que não tendo nada asseguram que eles tenham tudo!
Filantropia de Warren Buffet? Nada disso, o homem quer é poder coçar os tomates descansado e continuar a ter o mundo nas mãos, e ainda fica com a fama de bonzinho!
Eu gostava que o Dr Pedro lesse ( e entendesse, já agora) a história de Midas, que a divulgasse alegremente por entre as hostes neoliberais onde o dinheiro é deus, e fizesse entender àquelas alminhas ( ao João César das Neves não vale a pena) que renegociar é uma táctica que é boa para os dois lados do negócio, que há mais na vida que o dinheiro, e se como se já viu se estão cagando para as pessoas, ao menos protejam os tomates, por muito pequenos que os tenham!
Eu sei que não sou mais que um peixinho vermelho e que quem costuma fazer sermões é o Santo António aos da minha espécie, mas desculpem qualquer coisinha, se não mudamos de vez em quando a história à História, não há Santo Antoninho nenhum que nos salve.
Fiquem com esta




Vosso, Redfish