quinta-feira, setembro 13, 2007


Muito tempo ausente e o mundo sempre a rodar borrifando-se para a nossa falta de comparência e consequente participação nas decisões que o levam a mover-se nesta ou naquela direcção, neste ou noutro sentido!
E por omissão nossa, outros vão-nos tratando da vida!
Os Leirienses acordaram um dia destes e repararam que as suas facturas da água apresentam valores bastante mais altos ( nalguns casos exorbitantemente mais altos)!
Tirando algumas vozes anónimas e algumas (poucas) queixas isoladas, a coisa passou na maior, o que poderá incentivar o executivo camarário em funções a adoptar novas medidas penalizadoras das depauperadas bolsas dos contribuintes cá da terra. Acresce que esta medida foi votada na Assembleia municipal e passou com os votos do pessoal do costume. Continuem a votar neles, que é assim que eles tratam da gente. Já agora, e dado que Leiria aderiu às Águas do Mondego, esperam-se novos agravamentos nas facturas da água. Acresce que não há vantagem nenhuma para Leiria e os seus habitantes nesta escolha, quer a nível da qualidade do produto que nos chega às torneiras, quer a nível dos custos, bem antes pelo contrário, de que se se optasse pelo abastecimento recorrendo ao imenso aquífero subterrâneo que por exemplo, o município de Pombal está utilizando tendo mandado as àguas do mondego às urtigas.
Mas parece-me que este assunto vai merecer mais e melhor esclarecimento aqui no Blog.
Oxalá não me engane

Redfish

4 comentários:

Trotsquista de Salão disse...

Em Portugal a UE tem vindo a ser invocada como pretexto para a privatização da água e para a imposição do “mercado da água”. Verifica-se que sem qualquer fundamento.

Assim:
Não há nenhuma directiva que requeira qualquer liberalização do sector da água, nem qualquer fundamento para admitir que tal medida seja eminente ou mesmo plausível. A Comissão Europeia considerou essa hipótese em 2003, mas foi extremamente conflituosa e explícitamente rejeitada pela resolução do Parlamento de Março de 2004[iv]Bottom of Form

:

47. [o Parlamento europeu] Recusa que a água e os serviços relacionados com a água ou a eliminação de resíduos sejam objecto de directivas sectoriaies do mercado único; considera que não deve levar-se a cabo a liberalização do abastecimento de água (incluindo as águas residuais), devido às características regionais do sector e á responsabilidade local de abastecimento de água potável, assim como a outras condições relativas à água potável; apela, no entanto, que sem chegar ao extremo da liberalização, se “modernize” o abastecimento de água potável com princípios económicos em conformidade com as normas sobre qualidade e ambiente e as necessidades de eficiência;

48. Considera que os serviços de água e de resíduos não devem ser objecto de directivas sectoriais da União Europeia, mas faz questão em que a União deve manter a sua plena responsabilidade nestes sectores no que respeita ao normativo em matéria de qualidade e de ambiente.



A comunicação sequente da Comissão - Livro branco sobre os serviços de interesse geral, COM(2004) 374 final, Bruxelas, 12.5.2004[v] – nota: “Os pareceres divergem para certos serviços (água, resíduos, transportes públicos locais) sobre a questão de saber se um quadro regulamentar específico é ou não desejável a nível comunitário.” e anuncia um relatório sobre o sector da água para o fim de 2004.



No que diz respeito ao possível impacto de uma futura directiva sobre mercado interno de serviços, o mesmo documento establece específicamente que não será imposta aos estados membros nenhuma obrigação de reestruturação do sector das águas:

“certas actividades susceptíveis de serem consideradas pelos Estados-Membros como serviços de interesse económico geral são excluídas do âmbito de acção da proposta, como é o caso dos transportes, ou são objecto de derrogações ao princípio do país de origem, como é o caso dos serviços postais e dos serviços de distribuição de água, gás e electricidade. Além disso, a proposta não obriga os Estados-Membros a abrir os serviços de interesse geral à concorrência nem intervém no funcionamento ou na organização desses serviços.”

aguapublica.no.sapo.pt

Asa Esquerda disse...

Em relação à discussão acerca do abastecimento público, é importante ter como conhecimentos os seguintes factos:
1)No concelho de Leiria, não existe um aquífero, existem sete, cinco dos quais em meio poroso e dois em meio cársico;
2) Actualmente, a maior parte da água que é fornecida ao concelho provém de águas subterrâneas, vulgo, furos de capração de água.
3)Dos principais e que abastecem na sua totalidade algumas freguesias, podemos individualizar, o complexo Picheleiro-Barosa, Santa Eufémia, Caldelas-Caranguejeira, Pocariça, Porto Carro-Maceira, Casal dos Claros - Amor, Monte Redondo, Coimbrão e Reixida-Cortes.
4)O volume de água explorado em águas subterrâneas no concelho de Leiria é amplamente superior ao volume explorado e distribuido em Pombal;
5)Pombal com uma malha urbana mais dispersa benefecia de captações de menor produtividade e menor potencial aquífero em relação a Leiria, mas com a vantagem de ter freguesias com menor número de fogos a abastecer;
6)O Abastecimento a Pombal está concentrado em dois pontos fundamentais, Louriçal-Guia e complexo da Redinha;
7) Pombal tem problemas gravíssimos de abastecimento público, despendendo uns largos milhares de euros na realização de captações de baixa produtividade, sem perspectivas de sustentabilidade, resolvendo problemas de curto-prazo;
8)O facto de Pombal não ter aderido ao agrupamento Águas do Mondego, nada tem haver com pragmatismo político na gestão da água, nem tão pouco o beneficio da causa pública, mas tão somente a valorização que foi feita do património hidráulico do concelho e das contrapartidas oferecidas para que a conduta distribuidora proveniente do rio Mondego atravessa-se o concelho de Pombal. Obviamente o Sr. Mota não ficou agradado com o que foi oferecido ao edil e a si próprio;
9) Defender a gestão da rede em alta numa perspectiva multimunicipal e global é um acto de gestão coerente e correcto, quer na valorização do abastecimento proveniente de águas subterrâneas, captações de água superficial (rios e ribeiras), pois na maioria dos casos esses recursos são partilhados por diferentes concelhos, sendo a gestão colectiva um acto de responsabilidade;
10)O que deve ser posto em causa é a perspectiva neo-liberal de negócio, de tirar dividendos económicos de recursos que são de todos, ou à custa de delapidação de infra-estruturas colectivas (condutas, Eta, reservatórios e estações elevatórias;

O problema não esta no sistema, em Pombal ou nas Águas do Mondego, mas tão-somente nos objectivos que o agrupamento se propõe a cumprir. isto é: A nobre causa da gestão dos recursos público, ou a sua delapidação em favor do lucro financeiro para um bando de chacais acionistas.

Leiria em Cuecas disse...

vutouPergunta a quem sabe:

Quais as vantagens para Leiria de ter aderido ao consórcio "Águas do Mondego"?
Vai ou não encarecer a factura que os leirienses terão que pagar, sem nenhum benefício na qualidade do abastecimento ou da água?

Redfish

Asa Esquerda disse...

As Águas do Mondego não são um consórcio, pelo menos para já, o que não invalida que o venha a ser no futuro, o capital está distribuido pelos accionistas aderentes, isto é, os municipios e a subsidiária principal Águas de Portugal.

O preço da água está directamente dependente do acompanhamento que os municipios decidam exercer, e da forma como forem direcionados os objectivos a atingir pelo agrupamento.

Não há dúvida nenhuma que no capitulo das chamadas empresas do ambiente, estão a ser gerados activos muito significativos que mais tarde ou mais cedo haverá grande tentação em privatizá-los, mesmo os próprios municipios, vêm com grande interesse, a venda da sua participação valorizada afim de injectarem uma grande soma de dinheiro nos seus municipios para a obra da populaça.

Em suma, o agrupamento será aquilo que os municipios se interessarem pela sua gestão, vendo e conhecendo os actuais autarcas que temos, a hipótese dos objectivos do interesse público se alterar, é uma prespectiva real, passando unicamento a valorizar-se o lucro sendo o mesmo directamente proporcional ao valor das facturas a cobrar, e/ou a delapidação das infraestruturas geradas.