Terça-feira, Janeiro 24, 2012

Petição Pedido de Demissão do Presidente da República

Petição Pedido de Demissão do Presidente da República


Eu já assinei. Porque mesmo assim já é tarde. Porque nunca devia ter sido eleito. Porque não deveria ter podido candidatar-se. Porque o povo português merece mais respeito, este humilde peixinho vermelho incluído!

Redfish

Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

JOSÉ LUÍS ALVES PEREIRA

Gostava muito de Brel e de pintura. Nunca mais poderei ir a uma exposição que não me lembre dele. O Zé ajudou a pintar de cores mais bonitas o quadro que é a minha vida, com a sua amizade, o seu carinho. Partiu inesperadamente, levando com ele o seu sorriso fraterno, a sua solidariedade permanente, a sua integridade de homem livre e vertical. Deixa uma imensa saudade e uma rede infinita de amizades e partilhas. Como canta o seu grande amigo Manuel Freire, "se ao morrer um coração, morresse a luz que lhe é querida, sem razão seria a vida, sem razão". Eu sei que assim é. Pela minha parte, nunca o esquecerei.


Segunda-feira, Janeiro 16, 2012

O lixo do Lixo -

Sabemo-nos todos gente sem paranóias de maior quando nos pensamos perante dificuldades com que nunca nos deparámos. Somos extraordinários e eficazes nesta demonstração teórica de que com o mal dos outros podemos todos muito bem. Melhor ainda é o nosso sentido crítico e o pronto sentido de justiça com que brindamos o parceiro do lado quando o vemos a afundar-se seja em que maré for. Há sempre uma justificação nada científica e muito preconceituosa apropriada a cada caso e omissa em relação ao material comparativo que somos nós, os próprios, colocados alternadamente e sem critério na posição de juízes ou como estabelecedor de paralelismos mas no grau comparativo de superioridade. O pobre é-o porque não quer trabalhar, o doente é-o porque fuma muito e não tem cuidado nenhum com a saúde, o que faz greve é porque não gosta de trabalhar, se não gosta de futebol é maricas, se é homossexual é maricas e é doente, se bate na mulher é porque é corno, ou noutra versão ainda mais abrangente, porque ela é uma vaca e mais não digo pois o meu tempo e a sua paciência são limitados, tantos seriam os exemplos.
Lado a lado, nos transportes públicos, nos cafés, nas repartições, cinemas, lares, onde quer que seja, pessoas de todas as raças, sexos e géneros partilham informação que interiorizam e analisam de forma diferente segundo os seus parâmetros de avaliação, que variam com a experiência, cultura e sensibilidade que cada uma transporta como bagagem pessoal. Por isso o mesmo fenómeno terá explicações diferentes e motivará reacções também diversas. Mas há uma mediana nesse tipo de reacções que é como um comportamento "mainstream" , que é assente em bases medíocres ( tanto a nível cultural, como académico e até humano), que leva à rejeição do que é novo, à desconfiança, ao desprezo e até ao ataque, por vezes físico e violento contra o que não se compreende. Contudo, muita desta arrogância parte não da valorização do "eu", mas antes pelo contrário da constatação das próprias limitações e do medo do enfrentar de desafios. Por isso a lambebotice, por isso a aceitação da escravidão, por isso o perpétuo manter de velhos dogmas, por isso a fossilização desta pseudo-elite medíocre e corrupta nos diversos poderes, que vive não das suas capacidades, mas do aproveitar das nossas fraquezas. As minorias, os que pensam diferente, são olhados como fenómenos anormais e etiquetados entre o ridículo ou a ameaça. Tudo o resto é espectáculo, nesta sociedade onde se valoriza mais o ter do que o ser, onde o sucesso é a meta, e está à venda em qualquer quiosque nas revistas de sociedade, ou nas casas sem segredos de qualquer programa reles de televisão.
O Paraíso, afinal, já não mora aqui


Quarta-feira, Dezembro 28, 2011

Pequenos prazeres: sou um Príncipe dentro das minhas meias.

Estou sentado no sofá. Na televisão - contrariando o hábito masoquista de assistir manietado ao desfilar de saberes e sabores para todas as crises e gostos, mais os que na misericórdia infinita das suas ejaculações estatisticamente precoces com gráficos vomitados ao sabor das correntes que ignorando a evidência querem o rio da história a correr da foz para a nascente, como se a lei do dólar tudo justifique, inclusive o desastre nuclear desde que bem avaliado por uma agência de rating, ou no caso de o opinador ser nacionalista, pela real puta que o pariu - passa o DVD com o espectáculo de Peter Gabriel com a New Blood Orchestra, gravado em Março deste ano que se apressa ao suicídio, em Londres. Fabuloso é pouco para descrever o que estou a "ouver". Neste reino que partilho com 3 princesas e uma gata, temos ás vezes momentos assim. Acontece quando calha, mas normalmente estou dentro das minhas meias, satisfeito e penso menos mal do mundo. Fica mal a um peixinho, mesmo vermelho dizer certas coisas, pensaria certamente o senhor doutor fulano de tantos, comendador obrigado, comentador encartado, bajulador invertebrado y coisa y tal, mas eu sacudo as barbatanas com desdém e mantenho a minha: o que é bom é bom e o nosso governo é uma bosta, sem precisar de ser testado ou passar pela vergonha de ser confrontado com coisa melhor. Haverá coisa pior, não desminto quem o diga, mas esta peçonha neoliberal que se apega às almas como o fungo ao queijo não tem a decência de contribuir para o fim da crise com a única medida que poderia tomar sem fazer mal a ninguém: suicidar-se investindo com a cabeça contra uma parede cheia de pregos! Não defendem eles o investimento acima de tudo?

Terça-feira, Dezembro 20, 2011

Problemas gastronómicos

Um coração está muitas vezes fora do seu juízo quando detesta o que ama?
É impossível considerar abjecto aquilo de que se gosta?
Odiar de morte o que nos dá prazer?
É possível, é possível sim.
Porque julgam que deixei de comer cherne e agora só o cheiro de coelho me agonia?

Este é um exemplo de escrita sem vontade. Vim apenas para mostrar a quem tem o hábito, o azar, o prazer ou outra qualquer razão para aqui vir, que este cidadão que sou eu, detesto, odeio, tenho raiva e sinto desprezo, por tudo e todos que se relacione com este governo que mais do que um governo parece uma casa de alterne.
Isto não é um desabafo. É um estado de alma. Espero bem não ser o único a sentir assim. Se formos muitos, talvez a energia faça tremer os céus e a terra, os oceanos enfurecer-se e os ventos bailar desordenados. Se formos muitos, talvez de uma vez por todas este povo de anémonas com hormonas retardadas ganhe coragem e ouse a revolta. Talvez consigamos obrigar o Passos Coelho e a sua rapaziada a emigrar e para longe, onde não haja nem sonhos nem memórias, nada a não ser areia e esquecimento. Um lugar de onde não possam voltar, nunca mais. Para que eu recupere o prazer de comer uma boa coelhada. Acreditem que só por isso vale a pena.
Entretanto, ali, num Petit pays logo atrás do mar azul, chora-se por uma voz que o tempo não vai calar. À grande Cesária a minha pequena homenagem.

Sexta-feira, Dezembro 16, 2011

O dia em que o Diabo perdeu a mão





O dia em que o Diabo perdeu a mão
Coincidiu com o dia em que a honra perdeu o juízo
Todos nós rimos e brincámos com a situação
Menos a Pátria que se sentiu enxovalhada

No Sábado era dia de Todos os Santos
Resolvemos ir à praia
Como não marcaram eleições
Nesse dia comemos frango e salada

Dias depois, chovia muito
A Pátria partiu para a Alemanha
Foi sozinha sem os putos
Que ficaram à guarda de um polícia

Como todos os putos
Tivemos todos muitas saudades
Mas depois com a brincadeira
Nunca mais nos lembrámos disso

A parte chata desta história
E com essa é que não contávamos
É que para pagar as aulas de inglês
Tivemos que partir os mealheiros

Sexta-feira, Novembro 18, 2011

Como obter dos outros aquilo que não quer: pequena história de pequenos homens.

Há muito que me arrasto pelo desejo de vir aqui debitar as minhas mágoas sem forças depois para carregar no teclado,
o que me faz ficar absorto, quieto, a pensar sei lá em quê,
no Mar Morto ou no preço do café
todo torto, e dormente dum pé
A teoria, todavia, contraria
a explicação que obterão na ocasião
pois varia, quem diria, com a alegria
que há ou não, no coração, deste escrivão

Posto isto e mais o que se amanhar
não resisto a extirpar
o bem visto e exemplar
quisto com pernas que nos está a governar

Quisto ou tumor
aborto ou carraça
petisco ou estupor
nado-torto ou apenas chalaça

Chalaça de mau gosto
cachaça com fogo posto
trapaça com mosto
arruaça em Agosto

Tudo o que já leu
tudo o que não viu
sortudo camafeu
faz tudo que o pariu

Vida de artista
servida à equilibrista
pedida por quem resista
querida masoquista

O mito está enfermo
o pito do estafermo
o fito do governo
caralhito eterno

Nada disto resulta do controle emocional do pensamento corrente, nem da balburdia dos sentimentos em revolta. Apenas da confusão de quem à deriva, vê um país à bolina, com o norte desnorteado de culpa, marinheiros sonolentos em viagem para os exílios, alcoólico fervor da mortandade leviana e cristã. Nada disto faz sentido fora do sentido em que catastroficamente nos movemos e definimos como único. Nenhuma coerência nos pode ser exigida pois a diarreia também flui como um rio sem controlo e ninguém a tenta agarrar. Sejamos então justos:

Como podem criticar o que aqui é dito? Não percebem? Que importa? Aceitem-no com a mesma complacência que tem sustentado a política deste governo que ninguém percebe, a não ser que se aceite o assassínio como uma das belas artes e o suicídio como um sucedâneo um pouco menos refinado, apenas, mas também bastante sedutor e equilibrado na resolução de problemas. A não ser que nos tenhamos tornado naquela espécie de vermes que se entretém calmamente a ser devorada por todas as bestas que habitam as florestas mais recônditas dos nossos inconfessáveis desejos. A não ser que tenhamos desistido de todo de ser.

Eu que hoje sou apenas mais um peixinho que ruma sem cardume neste mar de lágrimas, rogo- vos que não se abstenham por mais violentamente que seja. Pacificamente, actuem, lutem.

Vosso, Redfish




Domingo, Outubro 23, 2011

Aviso à navegação

"Quem ainda está vivo nunca diga nunca,o que é seguro, não está seguro, as coisas não continuarão a ser como são. Depois de falarem os dominantes falarão os dominados. Quem pois ousa dizer nunca?" escreveu um dia o grande B. Brecht. E eu, que não sou de intrigas estou aqui a fazer umas figas para que isso seja verdade e que eu veja. Não peço grandes mudanças, nem coisas estrambólicas. Apenas que isto vire tudo do avesso.
Nem sequer sou muito original nesta questão. Não sou o primeiro, nem serei o último com esta vontade. Serei, quando muito, um dos mais inoperantes agentes de mudança já vistos, mas isso muda, tudo muda, mesmo o que se pensa que ficou na mesma, mas esta vertigem arteriosclerótica que nos empurra para o conformismo pode ser vencida, eu sei que pode, está provado por milhares de mulheres e homens antes de mim, gente que mudou a vida, fez História e não consta que tenha acabado ainda o Tempo, esse caprichoso modelador de vontades e de inconformismos, para um novo "levantamento de rancho", utópico e criativo, poderosamente romântico, justamente cruel, imparavelmente libertador!
Eu fico assim quando misturo vinho na sopa de letras, já mo disse a minha amada, eu sei que é um defeito mas há bem pior. E gosto. Gosto de pensar que é possível. Terrivelmente possível e belo. Bastava só combinar tudo bem combinadinho. Com a gente de cá, assim sem dar nas vistas com amigos em Espanha, que pudessem passar a palavra aos franceses e assim por diante, gregos, alemães, irlandeses e por aí fora. Depois, era só cada grupo em seu país correr com os parasitas e quem os apoiar. Nós cá era mandar o Passos prá coelha que o pariu mais o seu governo de anémonas, todos num molhe e com ordenados mínimos para saberem o que é ser português no país que eles estão a matar, junto com os Amorins, Belmiros e outros bandidos para um offshore qualquer onde valessem menos do que a bolsa de um pedinte e de onde não pudessem nunca mais fazer mal ao mundo, enquanto ouvíamos nas rádios e nas televisões já extirpadas de comentadores encartados e lambe cus profissionais, enfim livres e plurais, as notícias de que os povos em todo o lado se iam libertando dos seus opressores, lá como cá, a esperança a tomar o lugar da ganância e da corrupção, uma nova Europa, o Manu Chao a cantá-la e a festa da reconstrução, da cidadania e do respeito, do direito de todas e todos a viverem uma vida de felicidade e progresso.
Lá fora chove, e bem. É um começo. Estou certo de que sim. A minha amada diz que é efeito da mistura. Mas eu acho que não. Se todos nós quisermos. E podemos começar já. A falar com os amigos. Com as amigas. Discutir ideias, propôr caminhos, ganhar solidariedades. Depois, no dia 24 de Novembro, vamos ser muitos, mas mesmo muitos no mesmo barco. Os que não forem são os ratos que desta vez nem chegam a embarcar. Sempre houve e haverá quem se corte, por oportunismo ou cobardia, até por simples inércia, alguns não nos acompanharão no combate. A história dirá depois o que deles se souber. Eu, que sou apenas um pobre peixinho, por mim, quero poder olhar directo nos olhos das minhas filhas.


Redfish


Terça-feira, Setembro 20, 2011

Os testículos de Midas

Este blogue vai gaguejando a sua história, cada vez com mais impaciência. Se é verdade que me entretenho e gosto de escrever, também é verdade que a voragem de trampa que vai emerdando o nosso quotidiano é tanta que me desanima a escrever, pois não posso simplesmente ignorar o que se passa e vir para aqui apenas por vir.
Pensando em como resolver esta contradição, depois de me agoniar a ouvir a conversa amável que o Pedrinho de (algum) Portugal teve na RT(Portuguesa, até quando?), e tendo em consideração que a tal conversa não me enojou mais do que o previsto e, por outro lado mexeu com recantos menos usados do meu pequeno cérebro, resolvi trazer aqui o mito de Midas, o tal rei, bom homem, diz quem sabe, a quem Baco, agradecido por Midas ter cuidado do seu velho e bêbedo pai Sileno, lhe conferiu, a seu pedido ( vejam lá o chico esperto), o poder de transformar tudo o que tocava em ouro. Conta a lenda que não demorou muito a aperceber-se que tinha feito asneira, pois se tudo o que tocava logo em ouro se transformava, nem abraçar a filha pôde, que ela virou estátua dourada, nem comer, que a perninha do frango ficou a mais valiosa de todas mas incomestível, pois por muito que brilhe, ouro não se mastiga, nem digere, e assim é certo que iria morrer de fome, mas o mais importante, foi quando ele, gozando uma pausa e como qualquer macho humano que se preza quis usar do direito mais elementar que a viril ( as sumimos que sim para não complicar, tá) estirpe, do mais humilde ao mais poderoso, usufrui: coçar tomate! E foi quando a sua mão se dirigia apressadamente na urgência de uma comichão incómoda aos testículos, que Midas teve a visão aterradora do que seria a sua exstência futura se persistisse em querer tanto e tão fàcilmente alcançável ouro! Conta a história que ele correu apressadamente a Baco a renegociar o pedido que fizera e que este, na sua infinita bondade ( já não se fazem deuses assim, infelizmente), o livrou do seu poder lavando as mãos no rio Pactolo, com cujas águas aspergiu todas as coisas que transformara e que voltaram a ser o que eram.
Foi isso que aconteceu a Warren Buffet,ele que é constantemente citado na lista das pessoas mais ricas do mundo, sendo o terceiro homem mais rico do mundo em 2010 e que numa versão mais moderna poderemos comparar ao tal Midas. Ele teve a visão de Midas e viu que a ganância imensa dos mais ricos e poderosos do mundo está prestes a matar a galinha dos ovos de ouro, desculpem eu estar misturar fábulas, mas aqui a história dos testículos do Buffet não sei se teria cabimento, e esta serve adequadamente os meus propósitos. A questão é esta: a sugar tudo a toda a gente, os recursos do planeta a serem consumidos alarvemente, essas bestas arriscam-se a ser donos de um imenso deserto dourado, sem nada mais para alimentar a sua ganância.
Ser taxados para eles nada significa, mas esse nada deles significa a salvação de muitos outros, aqueles que não tendo nada asseguram que eles tenham tudo!
Filantropia de Warren Buffet? Nada disso, o homem quer é poder coçar os tomates descansado e continuar a ter o mundo nas mãos, e ainda fica com a fama de bonzinho!
Eu gostava que o Dr Pedro lesse ( e entendesse, já agora) a história de Midas, que a divulgasse alegremente por entre as hostes neoliberais onde o dinheiro é deus, e fizesse entender àquelas alminhas ( ao João César das Neves não vale a pena) que renegociar é uma táctica que é boa para os dois lados do negócio, que há mais na vida que o dinheiro, e se como se já viu se estão cagando para as pessoas, ao menos protejam os tomates, por muito pequenos que os tenham!
Eu sei que não sou mais que um peixinho vermelho e que quem costuma fazer sermões é o Santo António aos da minha espécie, mas desculpem qualquer coisinha, se não mudamos de vez em quando a história à História, não há Santo Antoninho nenhum que nos salve.
Fiquem com esta




Vosso, Redfish

Terça-feira, Agosto 02, 2011

Dicionário de banalidades e outras crises

Meu Deus, desculpa eu só te ligar quando estou na merda, mas sou eu e não sei quantos milhões de gajos e gajas que o fazem, das mais diversas maneiras e feitios, em várias línguas e credos, portanto já sabes do que a casa gasta e com toda a certeza que não te chateias, porque a malta não faz por mal, é só por necessidade que se estivéssemos bem os gajos das religiões, padrecos, rabis, gurus e afins há muito que estavam eles a chamar por ti em vez de ser o povinho, que só se lembra de Santa Bárbara quando chove e de ti quando há chuva e quando não há desde que a ovelha tresmalhada esteja, como se usa dizer, na merda até aos olhos.
Todos os bichinhos têm problemas com outros bichinhos, que os parasitam para se safarem, os cães com as pulgas, por exemplo, ou com as carraças, exemplo mais problemático, e há assim na natureza associações pouco recomendáveis, pois pouco sinérgicas e muito penalizadoras de um dos associados e na raça (quase) humana esses exemplos são aos milhões. Por exemplo, a Madeira é sugada há décadas pelo Grande Térmita, espécimen troglodita com aparência humana, de verborreia fácil e digestões difíceis, que marca o início da silly season todos os anos com uma festa rija onde dispara gafanhotos e disparates de vários quilates contra a Humanidade em geral e os cubanos em particular, sobretudo os do "contenente" que teimam em não o mandar internar numa qualquer instituição psiquiátrica de baixo custo e lhe vão permitindo todas as diatribes e desvarios enquanto come e dorme à custa dos nossos impostos (sim, dos vossos também, pensam que era só dos meus, não?) gozando do estatuto de inimputável vá lá saber-se porquê!!
Mas, Deus, desculpa lá este desvio, não é disto que eu te quero falar, nem da porra do assalto que este (eleito, pá, já sei, escusas de vir com essa) governo muito social e pouco democrático tem levado a cabo com sucesso e poucas queixas ( devem usar vaselina com lidocaína ), contra o bolso dos cidadãos mais absurdamente e pacificamente assaltáveis do planeta, por conseguinte do mundo, e mais por conseguinte ainda da Europa, invertendo a ordem relativa das coisas para dar mais ênfase a esta associação recreativa a que aderimos há uns anos e que se foi algo como a defesa dos direitos do cidadãos e do estado social que nos motivou ao ajuntamento, então devemos ter feito muita merda porque estamos por ela a ser compelidos a destruir o pouco que tínhamos conseguido conquistar...mas claro que não é disto, nem da privatização da água, da RTP, dos caminhos de ferro, ou da real puta que os pariu como diria o senhor Saramago e muito bem que eu te quero falar, topas?
O que me leva a interpelar-te é um problema metafísico que me tem atormentado desde a adolescência e só agora tenho coragem para to dizer: Ouve-me bem: Tu não existes. Está dito. Não existes coisa nenhuma, nem és todo poderoso, esse é o Obama, nem engravidas virgens disfarçado de Espírito Santo, o Ricardo sim, esse é que leva tudo a eito, virgens, não virgens, gajas ou gajos que ele papa na voracidade do lucro, tu não és nada, és a miragem dos pobres, o embuste bem pregado para que nos aquietemos, para que sejamos submissos enquanto suspiramos pelo nosso lugar num paraíso que só conseguimos imaginar olhando de longe para aqueles que o usufruem aqui na terra, seita de privilegiados que domina e controla tudo, governos, pensões, supermercados, clubes de futebol e casas de putas, poços de petróleo e navios de guerra, enquanto nós, desempregados, precários, mal pagos, somos tratados como lixo e entregues à tua misericórdia, palermas sem futuro nem presente à espera do milagre que tu nunca farás, porque és um deus com os pés de barro, que quer agradar às multinacionais dos poderosos e entreter-se com a caridadezinha das esmolas aos tesos. Passo bem sem ti. Vai fazer um estágio e volta depois, quando já não fores preciso para nada, porque aí é que é o teu lugar. Adeus e não voltes, que eu estou cansado de falar sozinho.


Segunda-feira, Julho 04, 2011

Dizem que o silêncio é de ouro.
Aqui não foi, de certeza.
Também não sabemos bem de que é que foi.
Apenas sentimos a necessidade de estar calados por uns tempos.
Contidos nas palavras, enchemos o coração.
sorrisos e azares, de tudo um pouco, cantigas e arruaças.
Sabe bem voltar.
Com espírito para a vida.
Com vontade.

Segunda-feira, Abril 11, 2011

Quinta-feira, Março 24, 2011

Sócrates está morto! Viva Sócrates



Ainda agora Sócrates se demitiu, mandando por arrasto governo e governantes para de onde nunca deveriam ter saído, ainda os pretensos substitutos do costume se deleitavam com a hipótese de ainda poder fazer mais trampa que os finados, eis que sem se conter, como numa ejaculação precoce, o director em exercício desse grupo de potenciais governantes anunciava a primeira medida a tomar mal o tal poder lhes caísse nas mãos: subir o IVA. Original? Não, apenas a constatação que a diferença entre PS e PSD, neste momento, está apenas no D de demente, de doido, de todas as palavras começadas por D menos de Democracia. Deveriam chamar-se PSL, com L de lorpa, mas que também é consentâneo com Liberal. Partido Social Liberal. Ficava bem à agremiação laranja. Ou partido dos Sonsos Laranjas, haveria muitas hipóteses. Fica a sugestão, mas não quero agradecimentos.
Pensei que o governo a cair fizesse mais estrondo, Sócrates bem o tentou com aquela comunicação ao país que pretendeu dramática, mas que o ridículo tornou trágica e que para a populaça cheirou a comédia. Eu acho que foi uma farsa. Mais uma, à boa maneira socrática. Este governo não caiu, atirou-se, mas tinha um colchão de penas por baixo para não se aleijar. Estes senhores que durante 6 anos, primeiro em maioria absoluta, depois em maioria relativa, chamam-se a eles mesmos socialistas, e desbarataram, estragando ou vendendo, património que era nosso, de todos os Portugueses, no que foram devidamente apoiados pelos seus presumíveis futuros substitutos laranjas e pelo indefectível amigo de estimação do presidiário ex-director do BPN, e agora Presidente eleito de Portugal, Cavaco Silva.
Cortaram nas pensões, nos ordenados e nos subsídios. Só não cortaram nos impostos.
Desinvestiram na saúde, na educação, nas obras públicas, mas compraram submarinos, carros de combate e carros de luxo. Privatizaram empresas estatégicas, que geravam receitas para o estado e enveredaram na aventura das Parcerias Público Privadas, para gáudio de alguns privados e prejuízo de todos nós, numa alegre cavalgada para a ruína. Empenharam honra e créditos perante os parceiros internacionais, cedendo à chantagem dos especuladores que nos sugam os proveitos e arrasam a nossa economia, numa dócil subserviência que contrasta com a arrogância e autoritarismo com que atacam o cidadão comum cada vez mais fragilizado. Os Financeiros, sejam eles os "misteriosos" mercados ou apenas gordos capitalistas bem instalados estão satisfeitos. Sabem que o remédio é igual ou pior que a doença.
E nós? Até quando vamos deixar andar?

Eu sei que sou apenas um peixinho vermelho, vermelho de raiva, de vergonha, de tudo e mais alguma coisa que nos deixe vermelhos, mas também sei que para este peditório já dei há muito tempo. Por todos nós, acho que a queda, infelizmente, foi muito pequena para que sirva de castigo por tantas mal feitorias. É pena.


Redfish

Terça-feira, Março 22, 2011

Só eu sei, porque é que fico em casa!!!


Kadafi por CAZIMAR




O mundo está louco, completamente marado, até eu que não sou de intrigas me pergunto como é possível que ninguém repare nisso. Amarrados aos pequenos problemas domésticos com que nos entretemos diariamente deixámos que tremores de terra, Kadhafis, Natos e outros sacanas do género fossem fazendo da Terra um lugar cada vez menos recomendável para se viver. Vejam bem a forma do mundo reagir. Os países poderosos do planeta, em nome da paz, deveriam ter feito uma enorme coligação humanitária e rumado ao Japão, e assim dando um contributo enorme para minorar o sofrimento dos que tudo perderam com este sismo. Mas que fez o mundo civilizado? Fez-se a tal coligação, com os "yankees" no comando, como Deus quer, os patetas alegres atrás, e em nome da paz foram bombardear a Líbia que já tem demasiados problemas com o ditador que lá vive, Kadhafi de seu nome e ex-amigo de José Sócrates e Cavaco Silva, e de outros bons rapazes colegas deles, que ao longo dos anos ganharam dinheiro a vender-lhes "fisgas" em troca de gasóleo para o carro. Tudo bons rapazes, portanto.
Eu sou um tipo que normalmente estou atento a estes pequenos pormenores, mas há uns meses que vivo rodeado de pequenas e repetidas incursões de escavadoras a escavacarem tudo o que é estrada, passeio, rua, ruela ou semelhante e transformá-los em caminhos onde nem as cabras transitam e onde os humanos têm óbvias dificuldades. Chamam eles a isto obras, mas até a minha gata, ou melhor, a gata que me escolheu para a sustentar quando lhe apetece, felina vadia e bem disposta que miava e tudo, anda tão angustiada e confusa com as transformações no seu habitat que já nem mia nem sai de casa, anda de cauda arrastada e nem quando lhe mostro fotografias de Cavaco Silva ela reage, pobrezinha, que nos bons tempos as esfarrapava logo todas todinhas. E eu, vivendo ao sabor da meteorologia, rodeado de lama ou de pó, este que se entranha a outra onde nos entranhamos nós, passo as passas do Algarve para ir de 15 em 15 dias ao centro de emprego relembrar ao país que sou um pária desempregado, subsídio dependente e que corro o risco de, tal e qual os malvados utentes das enormes pensões de reforma, ser chamado pelo governo ( a gata antes de estar aparvalhada com as obras, também esfarelava num ai fotografias do governo, todo junto, ou ministro a ministro ou ministra) a resolver a crise que eles mais os amigos do PSD e os amigos deles dos Bancos, coitados, não conseguem resolver, embora tenham conseguido fazê-la.
Eu sei que sou só um peixinho neste oceano conturbado de problemas, mas estes tubarões todos são uns nojentos e muito grandes para este aquário, roubam-nos espaço, roubam-nos vida, roubam-nos tudo, qualquer dia comem-nos e como isso era uma chatice, acho que seria melhor que Vexa, que me está a ler, se tiver amigos, os convoque e eles que chamem amigos deles também e assim sucessivamente para irmos todos correr com essa cambada e de caminho passamos pela câmara e dizemos aos gajos para acabarem com as obras antes que a minha gata comece a ladrar e ainda morda o vereador responsável.

Redfish