sexta-feira, Março 28, 2014

Pensões: Portas reconhece que «houve um erro»

Pensões: Portas reconhece que «houve um erro»


O  único erro é ele, Paulo Portas, e todo o Governo de que faz parte.
O erro foi terem votado neles.
O erro tem conserto? Tem, mas quanto mais rápido melhor. Quanto mais tempo eles ficarem no poder mais difícil será recuperar o que eles destruíram.


sexta-feira, Janeiro 24, 2014

Vamos desconfusionar. Pequeno ensaio sobre como evitar que a confusão se torne irrevogável



                    Olá. Vamos lá então a desconfusionar com carinho e eficiência.

    1- Não confundir com desconfucionar, palavra diferente, propensa a originar confusão se mal interpretada e que significa "desligar o Confúcio", o que é uma vaga ideia filosófica com pouca aplicação prática e de difícil execução.
22 - Separar o grande desconfusionamento,  do pequeno desconfusionamento. Não que seja grave, mas essa separação exige-se como metodologia necessária para o que se pretende, que é levar o desconfusinamento a todos os lares portugueses.
O grande desconfusinamento para resolver confusões de âmbito metafísico tipo "confundir o género humano com o Manel Germano" ou transnacional tipo as cartas que eu recebia da empresa estadunidense onde trabalhei, que vinham com endereço Leiria - Portugal - Spain. Estas questões, sem dúvida merecedoras da nossa preocupação, serão deixadas para trás pois  humanidade é já de si uma coisa confusa ( não confundir humanidade com Humanidade ou com humanidades, que não é plural de nenhuma das outras duas) e com enorme quantidade de gente envolvida e portanto a resolução desse desconfusinamento seria uma trabalheira de Hércules, não será menos desgastante convencer os americanos que para lá dos USA existe alguma coisa que não seja uma horda de selvagens que é urgente eles democratizarem, quanto mais explicar-lhes que há países, fronteiras e essas coisas que foram eles que inventaram juntamente com o fast-food e os westerns onde os índios são uns selvagens que só dizem uga uga e os americanos bons e brancos são os heróis que os chacinam e depois democratizam, o que também inviabiliza a resolução deste segundo grande desconfusinamento.
O pequeno desconfusinamento, nada de confundir pequeno em dimensão, com pequeno em importância, é, passe a redundância, o que nos importa, pois é com esse que dia a dia nos deparamos e que nos afecta e condiciona o modus vivendi. É aqui que devemos agir, desconfusionando, já, rapidamente e em força.
Por exemplo, confundir coadopção com adopção com o cu, é muito comum entre os jovens portugueses que acham que o estado social lhes prejudica o futuro de sucesso e que uma forma de aumentar a sustentabilidade da segurança social é matar mais rapidamente os velhos obrigando-os a trabalhar até esticarem o pernil. Nestes jovens confunde-se o cérebro com o intestino delgado, pois normalmente só têm ideias de merda. O desconfusionamento neste casos, embora difícil é possível, embora mais demorado que em indivíduos saudáveis e com mais do que um neurónio a funcionar. Normalmente são necessárias doses de cultura e de realidade e recomendação de reduzir o consumo de laranja
Outra pequena obra de desconfusinamento é a de demonstrar que Estado e Governo são coisas diferentes, e que quem nos estraga a vida e tira o pão são os governos e não o estado. Essa confusão é propagada intencionalmente por comentadores encartados, pseudo-jornalistas independentes e demais entidades interessadas em limpar a imagem de uns e a estoirar com o outro, e encontra, infelizmente muita aceitação entre a populaça, outra área necessitada de desconfusinamento pois há quem confunda populaça com povo e populismo  com preocupação efectiva com as populações. Estas confusões resolvem-se, apenas e só, com empenho, aculturação, solidariedade posta em prática, e em casos de necessidade  à bofetada.
Há quem confunda também socialismo com Partido Socialista, confusão essa que se alastra por vários países da Europa, e que nos poderia fazer pensar estarmos perante um problema de grande desconfusinamento, mas eu acho mais correcto vermos aí vários pequenos, pois cada um dos Pêesses arrumou o socialismo na gaveta conforme os usos e costumes no seu país. Em Portugal ficou conhecido o célebre "Socialismo à Portuguesa", que é assim como uma caldeirada sem sal, onde se mistura tubarão com peixe miúdo, e que se servida em doses substanciais provoca diarreia mental em quem a come.

Por fim, este próprio texto é uma grande confusão. Resolve-se parando de escrever. Há contudo uma coisa positiva nele: não optei pelo novo acordo ortográfico nem pela velha ortografia, ficando assim num saudável e descomprometido limbo em que nem o desconfusionamento funciona.

Vosso, sempre fresco, Redfish




quinta-feira, Dezembro 05, 2013

Vai ser Natal, é hora de levarmos a mal


Olá, começo esta pequena demonstração de percevejanismo literário com um elogio a Nicolas Maduro, que no mês de Novembro findo foi achincalhado e acusado por tudo o que é pasquim nesta terra de Viriato (e dos donos da Coca- Cola, do Citybank e de outras instituições transnacionais tão beneméritas como as anteriores que vão colorindo com os seus caridosos eventos os cinzentos céus peninsulares) por, cito com mais ou menos rigor, "ter antecipado o Natal" lá na sua Venezuela natal - isto é excelente- onde é o comandante substituto do falecido comandante Hugo Chavez, homem muito pouco querido aqui e ali e acolá, curiosamente todos lugares ( países?) muito incomodados com a divulgação de uns documentozitos por um simpático ex-pião da CIA nossa de todos os dias, mas adorado lá, em su sitio, pelos mais pobres e explorados, admirado cá e lá pela sua coragem, pese embora a sua carga populista, em afrontar a(s) besta(s) capitalista(s). Além de, como diz o poeta, "Natal é quando um homem quiser", porquê dizer mal de quem o antecipa e possibilita, com as medidas sociais e políticas em defesa dos mais pobres protagonizadas pelo seu governo, e nada dizer sobre, ou pior ainda, defender, meia dúzia de fedelhos imberbes anti-sociais (este governo canalha de PSD/CDS e amigos) que tudo fazem para impossibilitar a maioria dos portugueses de ter um Natal decente por muitos e muitos anos. Que o digam os trabalhadores dos Estaleiros de Viana, cuja prenda de Natal é o despedimento e os que sem emprego, sem casa, sem estatuto, olham o Natal como uma miragem, um sonho para cristão rico, que até para se entrar no reino dos Céus neste mundo canibal é preciso ter garantias bancárias. E não me fodam com o Banco Alimentar contra a fome, pois a boa vontade de uns e a fome de outros enchem os bolsos a falsos beneméritos e tubarões declarados como o Jerónimo do Pinga, que é Doce (para ele). Natal é,  pois é, o negócio mais bem cimentado da história, com milhões de tansos em todo o mundo a esgravatar dinheiro em prendas o mais estapafúrdias possível, alegadamente para festejar o nascimento de um puto que, se não me aldrabaram quando eu era também puto, nasceu todo roto num estábulo, no meio da palha e tendo como padrinhos um burro e uma vaca. Que me perdoem todos os crentes, mas a Fé foi derrotada pelo comércio, associado à ganância e à estupidez colectiva.
Haverá, sem qualquer dúvida, muita gente boa e outra óptima, que neste momento me chamou todos os nomes possíveis, menos "querido" ou "santo". Tudo bem. Aguento isso. É o que eu faço quando leio o Camilo Lourenço ou o sociólogo de todos os Sábados Alberto Gonçalves, reaccionários dos quatro costados e sem pinga de vergonha naquelas coisas a que chamam cabeças.
    Mas eu sou apenas um peixinho vermelho, num aquário esquisito que permite a entrada a percevejos, literários é certo, mas percevejos. Ainda evoluiremos para os gonococos, rapidamente se o Pedro Coelho continuar com Passos firmes este caminho directo para a lobotomia colectiva, ou daqui a uns anitos se o abstencionista violento e Seguro for chamado à condução desta carroça de rodas quadradas que é o Tugueiral. Logo veremos. Tenho um amigo que diz que ainda há hipótese de isto mudar para melhor. Não digo quem é porque ainda o internam num hospício. Mas tenho fé nele. Vamos passar o Natal juntos, seja lá como for, pois damos-nos bem e festa é festa.

Vosso, Redfish.



quarta-feira, Outubro 09, 2013

Paciência no reino das efemérides e outras semibreves- devaneio



   Anastácio Pintelho é um folião.
   Dito isto, não vamos todos ficar a pensar mal
   do figurão
   etc e tal, como de costume.
   que ele é isto, que ele é aquilo,
   monte de estrume
   caca de grilo....não.
   Anastácio, é um folião.
   ponto final

   Anastácio, dos Pintelhos,
   família tradicional local bem implantada
   de velhos
   há muito dedicada à agricultura
   os novos
   à acupunctura
   mas não há bela sem senão,
   Anastácio, é um folião.
   Ponto final

   Anastácio, tem da vida
   a melhor das impressões
   transmitida
   em várias ocasiões, com testemunhas,
   tipo que quem toca viola
   deve ter unhas
   ou dar esmola, dá perdão
   Anastácio, é um folião.
   Ponto final
 
   Anastácio é um palerma
   corre a estrada de vida
   pela berma
   não quer saber onde é o Norte
   muito menos sabe do Sul
   nem da vida ou da morte
   gosta do céu azul e duma canção
   Anastácio, é um folião.
   Ponto final

   Anastácio somos nós
   tu e eu mais quem vier
   sempre sós
   a fugir à solidão
   enterra a cabeça na areia
   para não ver a escuridão,
   ama e odeia, sem explicação
   Anastácio, é um folião.
   Ponto final

   Anastácio, não sabemos
   se está vivo ou se está morto
   mas podemos
   pensar o seu lugar no mundo
   como um vazio sem espaço ou ar
   num poço escuro e profundo
   paira no ar, como um balão
   Anastácio, é um folião.
   Ponto final?
   Não.
   Anastácio é um senão
   etc e tal.



 

quinta-feira, Agosto 08, 2013

O Polvo unido jamais será comido!



    De alma e coração aberto vos escrevo depois deste tempo de pousio. Não nasceram malmequeres no teclado  nem o mundo parou por causa disso. Acontece que estou pelos cabelos - que entretanto cresceram e bem - com isto tudo e com mais coisas ainda, pelo que as urtigas ainda são um local agradável comparado com o sítio para onde mandei isto e tudo o resto. Isto foi e foi bom ter ido o resto não para mal de todos os pecados ( nossos e de todo o mundo) cometidos e por cometer.
    Não sou peixe para qualquer mar, é bem verdade, assim como não gosto de ser comida de tubarão nem isca para pesca grossa. Esta caldeirada também não é do meu agrado e embora esteja mais p'ró lado do peixe miúdo,  não sou nem tenho ar de faneca e não me revejo nos carapaus de corrida que abundam na nossa praça. Há muita gente que eu gostava de mandar para a raia que as parta e uns moluscos que sobrevivem à custa de não terem espinha que os comprometa que gostava de ver exportados para um país bem longe da vista e do coração.
   Estamos fritos - berra aquela que antes de o ser já o era, com ou sem rabo na boca mas já com as escamas empenhadas aos bancos de areia que o rei Neptuno administra nos intervalos das orgias com as belas sereias cansadas de engatar marinheiros afogados em vinho e saudades dos lares que já tiveram e que perderam fruto da contingência e da iníqua lei das rendas tão do agrado das piranhas e cobras d'água e mais alguns batráquios que se juntam à peixarada nas lagoas de águas paradas. Com tudo isto quem se prejudica é o mexilhão, muito por culpa própria, fechado na sua casca a rogar pragas e com medo da mudança da maré.
    O mar avança e o mundo recua. Nada resta das caravelas nem de quem nelas partiu. O mar dos poetas secou, hoje é fiel depositário do rescaldo de Fukushima, o degelo ameaça os turistas americanos ávidos de tsunamis de emoção nas praias inóspitas de Armação de Pêra, Allgarve forever, diz quem sabe e entre pedras e cavacos se edificou uma nação de bacalhaus secos e peixes aranha, muito gabada nos circuitos de ajuda mútua que financiam a campanha presidencial do sr. Obama, esperança frustrada de milhões de apostadores do euromilhões e de centenas de virgens frequentadoras do Facebook.
    Entretanto, há eleições. Locais, para não irmos muito longe. Cada um no seu aquário. Como de costume os cardumes agitam-se. As taínhas aperaltam-se, os tubarões do costume preparam-se para o assalto. Nada que incomode o rei Neptuno, nem as sereias, ou os três estarolas, que de escafandro e óculos de sol visitam de tempos a tempos este buraco entre as dunas para nos dar alento em troca de sal.



segunda-feira, Maio 27, 2013

O carteiro não tem culpa...deixou de ter profissão


Estação dos correios de Santana, Leiria



             Cartas de amor, quem as não tem, dizia a canção. Cada vez são menos, pois parvoíces no Facebook e sms pirosos foram substituindo, pessimamente digo eu, as ditas cartas, ridículas, diria Pessoa, que se entretinha a escrever cartas, não ridículas digo eu, a ele próprio. Escassez de cartas? Será essa a razão para quererem fechar os Correios? Escassez de clientes, dizem eles, cientes de que serviços públicos de qualidade não servem interesses privados interessados no serviço, que público, lhes nega  proveito e lucro. Mas se há interesses privados por detrás desta orgia de encerramentos de estações dos CTT, como aceitar as explicações da Administração da pública empresa tutelada pelo Ministério da Economia de que não são exequíveis por falta de clientes? Passo a miúdos para facilitar: serão os gajos interessados em ficar com os CTT tão palermas que se interessem por uma treta não rentável? É verdade que provavelmente, para não dizer com toda a certeza, essa apropriação por privados significaria na linguagem alternativa do Pedro Coelho, que haveria para uma grossa fatia dos funcionários dos CTT novas oportunidades de vida, noutro lugar, noutra empresa, noutro país ou até noutra vida. Mas...não há bela sem senão, dirão os putativos interessados ao excelentíssimo Ministro Álvaro Santos, que, como quem não quer a coisa se mantém anafado e jovial, contrariando a tendência de emagrecimento e envelhecimento que a sociedade portuguesa vai manifestando, muito por culpa dele, do Pedro, dos putativos interessados ( que negarão sempre até pela saúde da mãezinha qualquer interesse no negócio) e também do senhor a quem chamam Presidente, mas que diz coisas como os palhaços, mas com muito menos piada.
         Sendo certo que este país não é para velhos, pese embora o paradoxo da questão que é o haver cada vez mais idosos, e APRE!!!! Andam atiçados contra este governo....bem... os novos também, mas emigram muito para nosso azar...eh pá...talvez voltem a escrever cartas...não, não...agora há a Internet, o Skipe e essas coisas todas que nos permitem falar ao longe como se aqui ao lado uns dos outros estivéssemos, pois, não há volta a dar, já fecharam a Estação de Santana, a seguir outras irão, quando ficar apetecível virá a privatização. Em envelope fechado e com carimbo dos CTT, correio azul, remetente o Álvaro, com amor, para os presumíveis interessados.

Vosso, Redfish


quinta-feira, Abril 11, 2013

Os desatinados também têm coração.

      Como diria Warezoog, filósofo que nunca existiu e cujos ensinamentos me guiam desde o século passado, geralmente o que parece é, a não ser que não seja como todos comprovamos querendo, sem querer, uns mais que outros, a experiência orienta-nos nas escolhas, a vida - airada, madrasta, enteada, sogra, eu sei lá -  é um acumular desta aprendizagem, as rugas são a montra temporal dessa escola. Resumindo, a velhice é um posto, dizem por aí, mas é então que recupero o meu Warezoog e cito o meu caso, exemplar, o meu, a quem o espelho não mente quando devolve uma face sulcada de rugas e que não consigo conscientemente fazer jus à tal relação tão propalada por montanhas e vales! Não que me sinta parvo de todo, mas a tal sabedoria que deveria vir com o caruncho, meus amigos, é ficção e pouco científica. A actualização que o nosso disco rígido faz para se ir conectando com a realidade é bem mais lenta que a velocidade a que esta se vai transformando. Cada vez é mais difícil fazer downloads e há resets atrás de resets até ao reset final, que se deseja o mais tardio possível. Enfim, lentamente até ao ocaso, que é o contrário de depressinha, que não sei se é mas parece o contrário de depressão. Depressão destes dias cinzentos de chuva e frio e desesperança. até o céu parece chorar infindamente as dores deste pobre país achincalhado, violado e dado aos porcos. 
         Nada disto me surpreende. O que me admira é não termos aprendido com os nossos erros. O que me leva ao Warezoog de novo. Para quem não existe ele é muito esclarecido. Não me consegue convencer a comer couve de Bruxelas, mas mesmo assim admiro-o muito. Sempre ao lado do povo. Como convém. Nada de recriminações, por favor. Sejamos lúcidos, já em 68 exigíamos o impossível, com urgência. As gravatas vieram depois, não é Conh Bendit, Daniel de seu nome, Dany para os amigos? Tu e o Rui fazem uma bela parelha, hei-de apresentar-vos o Warezoog...e por favor não me fodam. Desatinem, como qualquer pessoa decente. Voltem a ser decentes. Como o Papa. Sejam papas, promulguém um novo evangelho. O evangelho segundo Warezoog: Os desatinados também têm coração. Comam-no. 

Vosso, Redfish, hoje com coentros!

quinta-feira, Março 07, 2013

À Maria Ana



   O tempo, o implacável, o que passou...
   Todos os dias me pergunto: estou aqui a fazer o quê? Porque perco tempo com isto?
   Não sirvo para dar conselhos a ninguém minha querida, muito menos àqueles a quem dedico maior estima,  mas há uma coisa que é certa: para trás o tempo não volta. Por muito revoltados que estejamos por nos terem posto neste mundo sem nos perguntarem nada, não conseguimos desnascer ( como pedia o josé Mário Branco no "FMI" ), os caminhos nunca acabam e são sempre para a frente, mais uma série de diatribes  e demais sacanices  de que gostaríamos culpabilizar alguém, mas o responsável ou responsáveis, se os há, há muito que deixaram de circular por estas terras, que com o Paraíso que parece já terem sido pouco ou nada têm em comum. 
  Tudo isto porquê? - perguntas tu do alto dos teus despachados 19 aninhos, pintados de fresco ainda e tão airosos que a de os ver até nos sentimos capazes de...sei lá, mandar lixar a Troika, ou deitar o governo abaixo, coisas que seriam muito mais proveitosas de fazer do que escalar montanhas ou outras parvoíces do género, que se usam dizer que faríamos quando nos sentimos arrebatados por qualquer coisa.
   Há 19 anos, peguei-te pela primeira vez, já tinha o treino com outra princesa, foi mais fácil, mas a emoção foi a mesma, o nó na garganta, a estranha sensação de ser dono do mundo e sendo-o de facto naquele momento - eu era o homem mais rico, mais feliz, mais palerma também - eu sei que sou um choramingas, mas há lágrimas que sabem tão bem chorar que eu não sei explicar, apenas sei que Deus ao pé de mim, naquele momento, era um pedinte. 
   Hoje, ao ver-te a ti, à Mafalda e à vossa mãe, consigo olhar para trás com alegria. Eu sei que há coisas que podiam ter sido bem melhor, mas o que REALMENTE INTERESSA, eu tenho. 
   A vida não é um filme, não tem ensaios nem repetição de cenas, por isso, filhita, goza-a bem, sem grandes pressas, saboreia-a a cada dentada que vás dando. O que não te agradar cospe para o lado, aproveita bem o que for bom e se puderes sê feliz.
 Tens tudo arrumado? Então, ala que se faz tarde. E leva a pandeireta. Pode dar-te jeito.

   Beijos.



terça-feira, Janeiro 29, 2013

O dia em que recordei o futuro!


 Saí de casa como quase sempre, sem grande vontade e sítio para ir que a fomente, a perna esquerda a pedir licença à direita para avançar num arrastar de pés conveniente, digno da condição de autómatos em que sossegadamente nos vamos tornando. Era um dia cinzento e magro, dia típico destes tempos pós Troika que vamos vivendo(?). Cruzei-me com os rostos fatigados de rotinas do costume, estranhos do dia a dia que nos habituamos a ignorar, como Deus manda. 
  Normalmente bica e periódico iniciam o périplo diário de qualquer português que se preze de o ser. O banquete de horrores pimba que é o CM deixa qualquer cristão retorcido, quanto mais a mim que sou um analfabeto religioso sem credo e pouco enfezado para o que é uso na minha idade. Uns quantos assassinatos e outros tantos acidentes, quedas de prédios, roubos e incêndios, umas declarações patéticas de governantes para palerma ler, comentadores à direita da direita  para esta usar e deitar fora, artistas mamalhudas e casadoiras que se refastelam em fotografias supostamente sexy sobre notícias do seu suposto noivado com o jogador suplente do clube de qualquer lado que é pai da filha de outra actriz atroz que deixou para trás e agora está na Casa dos Segredos a enroscar-se num segurança que se inscreveu no concurso porque precisa de dinheiro para pagar a depilação a laser que a noiva traída, frente à televisão, se  arrepende em lágrimas amargas, o tê-lo incentivado a fazer....ufff! Pois.
  Compraz-me ver outros a fumar. É um vício muito mais barato e dá o mesmo relaxe e tempo para pensar.
Um palerma que se preza em ser palerma a seguir vai trabalhar para poder pagar aos bancos o dinheiro que eles desbaratam em jogos de bolsa e reformas chorudas de banqueiros e amigos. Há os palermas em part time que nem trabalho têm e que são assim como que lixo para os tais banqueiros, pois além de não pagarem nada ainda têm a distinta lata de receber um niquinho do que aos senhores (caritativamente) é devido.
  Pois não rezam as crónicas que vivemos a cima das nossas possibilidades? Aí eu faço um enorme esforço com os poucos neurónios que ainda não queimei com antidepressivos e litros de álcool marado  e tento recuperar a memória desses tempos  supostamente esbanjativos em que eu e os meus, em orgias de gozo e luxúria demos cabo da economia nacional. Escorrego por caminhos imaginários em direcção ao passado, tal como Alice na terra das Maravilhas caio por buracos onde cresço e minguo até cair no mar das minhas possibilidades ultrapassadas, mas esbarro numa parede de betão armado (em carapau de corrida) com letreiros elucidativos que me informam que esses conteúdos foram retirados do programa - "Tivesses pensado nisso na altura" - e traumatizado pelo esforço e pela pancada quase desisto e me rendo à evidência.
  Mas...há sempre um mas, felizmente, rebate de consciência, más companhias ou qualquer coisa igualmente perversa ou subversiva que me impedem de ser tragado pelo esgoto laranja que nos cerca e limita e fujo em direcção às minhas memórias, agora libertas de escrúpulos morais e condicionamentos servis, e vejo apenas uma família pacata, quatro humanos e uma gata quase humana, dois ordenados, uma casita e um carro, um televisor e uma hi-fi e tento descortinar onde esbanjei eu as fortunas de que me acusam? Será por ter as garotas a estudar? Eu sei que para este governo a educação é um luxo exorbitante, mas não sei, será este o caso? Ou será por comprar livros e jornais? Outro luxo, evidentemente, mas porra, não eram assim tantos. A vida ensina-nos, contudo, a tentar compreender que nem todos entendem que para lá do futebol e da missa ao Domingo há outras coisas e desejos, há mais mundo para lá das estreitas paredes duma mente moldada ao sucesso pintado com as cores do sucesso neoliberal e a liberdade segundo a Opus Dei.
   Pois bem, nesse dia cinzento e magro, não fui à bica. Contrariamente ao habitual, dirigi-me ao primeiro estranho com que me cruzei, cumprimentei-o e curiosamente ele sorriu-me e cumprimentou-me por sua vez. Falámos um pouco e combinámos encontro. Outra pessoa chegou entretanto e estranhando ver-nos em tão amena cavaqueira ( porra de palavra, desculpem) conversa, logo se nos juntou e aos poucos éramos já alguns trocando ideias e falando da vida. Experiências diferentes, caminhos diversos e sonhos cada um sabe dos seus, mas o mesmo desejo  de ser feliz e vivê-los em paz. Marcámos encontro: Dia 2 de Março, na Fonte Luminosa. Cabem lá muitos mais. Desde que venham por bem. Pelos nossos sonhos e pelos dos nossos. Até lá, abreijos.

 Redfish

quinta-feira, Dezembro 27, 2012

O cavalo de Boris Vian


   Olá.
   Deixem-me limpar o pó que se acumulou por aqui desde a última vez que aqui vim com alguma disposição de debitar o que na minha alma se vai tornando pesado. É curioso, não sei se é comum a outros, o que acontece comigo neste particular da escrevinhação. É que os motivos que muitas vezes me levam a escrever  são os mesmos que me fazem repudiar tal ideia. Isso acontece, aconteceu e acontecerá certamente de novo. A realidade ultrapassa frequentemente em violência, non-sense e cretinice as mais imaginativas das ficções e enredos. Quando tudo se processa num clima de apatia e conformismo de uma sociedade de cadáveres ambulantes - Walking Deads? isso é banal, os nossos mortos vivos são muito mais aterradores - vergados ao peso das suas necessidades e do medo de ser impedidos de as satisfazer, multidões de  novo escravos assumem as culpas dos seus algozes na vã tentativa de não os desagradar, numa lógica de sobrevivência canibalesca em que o próximo deixa de ser um amigo para se tornar uma ameaça, tenho tanto nojo do que nos tornámos que paro, pois tudo o que poderia produzir nada mais seria do que... seria apenas um vómito.
  É lógico que eu não escrevi porque não me apeteceu, mas a tentativa de explicação acima elaborada tem o seu valor, porque, na verdade, apanhei um valente ressaca virtual e só de olhar o PC me agoniava.
  Este cansaço, fastio melhor dizendo, é muito bem explicado num dos mais maravilhosos livros que li, "A espuma dos dias", de Boris Vian. O título, muito poético, não faz justiça ao francês original, em que a espuma a que se referia era a que se forma na boca dos cavalos, quando muito cansados. Daí a razão do meu título. Manias.
  Foi uma boa quarentena.
  Voltei, em derrapagem conflituante com a prossecução dos meus interesses e os do colectivo, sem querer saber que o Ano Novo que é mais velho que eu sei lá, vem com a sua carga de miséria e injustiça sob o fogo de artifício do costume, nas festas onde os palermas habituais, carregados de vinho e outras drogas legais, se enganam reciprocamente com votos de prosperidade e alegremente engalanam o cadafalso onde porão os pescocinhos com gardénias e bandeiras coloridas made in China. Enjoy Porra Cola, man, enjoy e não penses muito, Porra Cola é que é uma porra do caraças, é a porra dos campeões que patrocina  toda a merda que aqui se vai fazendo mais a que aí vem, porra para isto. Fim do Ano, depois dum fim do mundo que foi uma treta, já nem nos Maias se pode ter confiança, já o Eça o sabia e disse, o que ele não podia saber era da Porra Cola, a rainha de todas e de porra nenhuma,  da porra da dignidade, que se foi, da porra da decência, que se vendeu, da porra da solidariedade que se escondeu, da porra da vergonha que não se sabe onde está, da porra da liberdade que se matou.
  E olhamos os rostos que se perfilam em discursos teletravestidos de oficialidade dúbia e autenticidade obscura, para sabermos que tanta legitimidade tem o impostor disfarçado de poste avançado da ONU para países de imbecis, como estes governantes da porra que alicerçam a incoerência das suas atoardas em mentiras que só não os metem nas mais sórdidas cadeias porque quem está por trás destes trastes é a Porra Cola, a poderosa e omnipresente Porra Cola camuflada em sombras, buracos, disfarces, formas e feitios diversos, exércitos da salvação, igrejas, casas de putas, navios cisterna e outras porras que eu sei lá, tudo serve os seus intentos, tudo serve para que tudo isto se mantenha.
  2013? Eh,eh,eh,eh!! Grande porra!

segunda-feira, Novembro 05, 2012

Agora que os animais falam...


      Fernando Ulrich é um animal. Definindo melhor: é uma besta! Sem querer ofender qualquer dos numerosos bichinhos que se governam à custa da natureza, desde a víbora ao lacrau, passando pelas carraças e indo às hienas, que passam por antipáticos aos olhos da humanidade em geral, mas que têm a grande virtude de ( ainda ) não falarem. Não há, de facto, relato conhecido sobre achincalhamento das vítimas de picadela de lacrau pelo dito após, antes ou durante o acto. O que é dito do lacrau é válido para os outros bichinhos, podendo haver algumas dúvidas em relação às hienas, dado o seu péssimo hábito de rirem por tudo ou por nada. Contudo, nunca se ouviu uma hiena a dizer "Ai aguenta, aguenta!" enquanto devora uma carcaça de algum incauto que se pôs a jeito.
     Não quero, também, deixar a ideia errada de que com desabafos deste tipo vamos longe. Esta gente(?) é perigosamente desumana. Estão-se borrifando para o que podemos dizer, estão-se marimbando para a ética, as leis, a moral, nada disso lhes interessa o mínimo, sempre viveram acima disso. O que lhes interessa é o dinheiro e o poder que lhes advém da sua posse, por isso usam de todos os meios para o obterem. É aí, onde lhes poderá doer mais que devemos atacar. Secando-lhes a fonte. Podemos começar de uma forma simples, com este: interrompendo qualquer negócio que tenhamos em que intervenha o BPI. Retirando         ( quem os tiver) os depósitos do BPI e transferindo-os para outro banco qualquer. Não é que sejam melhores, mas tem que se começar por algum lado.   


quarta-feira, Setembro 26, 2012

Uma fábula...ou talvez não!


   Um rato asqueroso, percorre no seu passo nervoso o monte de lixo urbano que a noite negra vai encobrindo. Os seus olhinhos piscos varrem as trevas procurando perigos. Pressente-os mas não os vê. Está só, desesperadamente só, não lhe resta nenhum dos outros ratos do bando - supostamente tão seus amigos - que sob sua alçada se foram alegremente juntando enquanto roíam todos os bons bocados  que lhes fora fornecendo. E onde estão as baratas tontas que aos milhares o seguiam escutando e repetindo, deliciadas, os gritinhos que soltava enquanto rebolava satisfeito em orgias de poder e ganância? Nem sombra. À sua volta apenas lixo, formando silhuetas que a noite densa transforma numa potencial ameaça. Nem o seu corpo especial de ratazanas, que julgara fiéis o acompanham. Tudo se desmorona à sua volta e é demasiado cobarde para enfrentar a consequência das suas acções. É um rato asqueroso. Serviu-se e serviu os grandes inimigos do seu povo, os  grandes e poderosos gatos e tem medo, muito medo. Sabe que aqueles a quem serviu nada querem com ele agora que não lhes é mais útil, pior, sabe que é um escolho que urge varrer para que nada disto se saiba. Sabe que no mundo dos ratos nada se perdoa. Um rato que cai é devorado pelos outros ratos. 
     Correr é o que lhe resta, para longe de tudo e todos. Disse um dia que todos os que o criticavam eram "piegas", agora vê-se como um cobarde fugindo para nunca mais voltar. Coisas que acontecem - dirá quem me lê - aos que abusam da sorte. Mas para o aflito rato asqueroso a vida não está para morais. Corre loucamente à procura de segurança e esquecimento. O que ontem era  um caminho aberto para o céu, hoje é apenas um negro abismo sem retorno. Onde pára o tal Triunvirato a mando dos Gatos que vinha para nos (a eles)ajudar a sobreviver? Tinham imposto tudo o que lhes aprouve e mais um par de botas, a tudo tinha acedido prontamente, até tinha acrescentado uns pozinhos de sua lavra para mostrar a sua fidelidade. Porque então o abandonam agora, que tanto precisa de ajuda? Os ratos é que abandonam os barcos que afundam, nada se conhece nesses casos sobre gatos.
    Ouve-se ao longe um tropel que se aproxima, vozes, gritos, a noite atrás de si enche-se de clarões, não, são faróis, luzes que perscrutam a noite à sua procura - de certeza - o seu pequeno coraçãozinho bate a torto e a direito sem querer saber de ritmo nem compasso, sente o pânico a invadi-lo como uma grande onda que o afoga, já não pensa, já não vê, corre às cegas sem noção do destino nem do trilho e de repente o chão foge-lhe debaixo dos pés e cai, cai, cada vez mais depressa, mais depressa, o cérebro desliga, já não sente nada quando se esmaga feito pasta sangrenta contra as pedras que tapam a entrada do esgoto por onde pretendia fugir. 
    A traição paga-se caro, poderá ser a conclusão desta espécie de fábula, mas há gente que nunca aprende. Assim como há quem não saiba que quem cala consente, e que quem consente que ratos asquerosos continuem no poder a roubar tudo e todos não é vítima, é cúmplice.
    Mas como diria Warezoog, filósofo que não conheço mas que respeito muitíssimo, "nada impede que alcancemos a felicidade a não ser fazermos muito pouco por isso, pois é nessa procura constante que nos realizamos". Eu próprio não diria melhor. 

O vosso

Redfish

quinta-feira, Setembro 13, 2012

Vamos à luta! Vamos todos dizer não


Não

Não é tempo para lamúrias e lutos e queixas e fugas; é tempo para revoluções. E não podemos levar de novo cinquenta anos a fazer uma revolução. Não pode ser, não é uma opção; porque dentro de cinquenta anos já não existirá nada por que valha a pena lutar. Temos que começar agora, e já vamos atrasados. Afinal, uma revolução até é simples de se fazer; basta começar por dizer “não”. Dizer “não”, e depois gritar “não”; ir repetindo e gritando, sempre “não”, e acreditar que se muitos dissermos “não”, será mesmo “não”. É quanto basta para começar uma revolução. E há que começar já, porque estamos fartos.
Estamos fartos de quem nos rouba a esperança, estamos fartos de ter medo e de fugir e de recear o futuro, estamos fartos de estar quietos, estamos fartos de egoísmos e de gente que vai andando com as vidinhas às costas sem olhar para o mundo que ao lado se desmorona, estamos fartos de nos acomodarmos, estamos fartos de mercados e raitings e troikas e juros e merkels e privatizações e neoliberais e aumentos de impostos, estamos fartos de ser tratados como imbecis, estamos fartos de gatunagens e humilhações, estamos fartos de quem diz que direita e esquerda é a mesma coisa, estamos fartos de fado e tourada e futebol e de todas as outras distracções de regime, estamos fartos de jotas, estamos fartos de sofrer porque não sabemos o que vai ser dos nossos filhos, estamos fartos que nos digam que não vale a pena lutar e protestar e recusar, estamos fartos de quem nos quer ver transformados num povo de burros e atrasadinhos e resignados e subservientes, estamos fartos de pobreza e miséria e de quem diz que esse é o nosso destino inevitável, estamos fartos de passados gloriosos e história e saudosismo e de dão sebastiões, estamos fartos de quem nos quer fazer acreditar que ter um emprego é um privilégio e um luxo, estamos fartos de já não conseguirmos arranjar motivos para rir, estamos fartos que dêem cabo dos serviços públicos de educação e saúde e televisão e dos outros todos, estamos fartos de não ter dinheiro para a gasolina, estamos fartos da ausência de ética e de solidariedade das elites, estamos fartos de comentadores e economistas e de todos os outros que nos negam o direito de acreditar em utopias, estamos fartos de não nos sentirmos livres, estamos fartos de quem tem medo da palavra revolução, estamos fartos de ser fodidos dia após dia após dia. 
Estamos fartos. Ou não, será que estaremos? Quem se calar talvez ainda não esteja, talvez aguente mais um bocado; que aguente, então. Mas quem estiver farto que diga “não”, que grite “não”, que escreva “não”. Que acredite que cada “não” dito, gritado ou escrito faz alguma diferença e que é à junção solidária de tantos “nãos” que se chama revolução. 
Agora, as ruas irão encher-se de gente, alguma silenciosa e outra que dirá “não”. Por lá andarão, certamente, muitos dos 4035539 cidadãos portugueses que nas últimas legislativas não se deram ao trabalho de votar, por certamente estarem ocupados com coisa bem mais importante; por lá andarão muitos dos 793508 cidadãos portugueses que, como eu, votaram num partido de esquerda; por lá andarão muitos dos 1568168 cidadãos portugueses que votaram no PS, que não sendo bem de direita, de esquerda certamente não será; por lá andarão muitos dos 413189 cidadãos portugueses que votaram num daqueles partidos de que nem sabemos bem o significado da sigla mas que são tão importantes como todos os outros; por lá andarão alguns dos 2813729 cidadãos portugueses que votaram nos partidos do governo e entretanto se arrependeram. Por lá andaremos muitos de nós; e a revolução começará assim: dizendo “não”. 

Paulo Kellerman

quinta-feira, Agosto 09, 2012

Ambrósio, tire-me a venda dos olhos!! Pimba



  O calor dilata os corpos e abrasa-me o juízo. Não que perca a noção das coisas, isso não, mas se alguma musa alguma vez perde tempo a inspirar-me, no Verão vai a banhos, como toda a gente.
 Quero com isto dizer que estou completamente às aranhas e vou carregando nas teclas sem ter um objectivo definido. Pareço o governo. Com algumas vantagens. Esta escrita não tira o pão a ninguém e eu tenho consciência da sua exacta valia. Estou confiante de que pelo menos alguns me perdoem esta desfaçatez, mas nesta altura do campeonato acreditem que isso é o que menos importa.
 Portugal, neste Agosto de 2012 está muito mais à deriva que a minha escrita. Esta misteriosa e extraordinária falta de sentido do ridículo que os nossos bem detestados governantes vêm patenteando, emparceirada com uma completa ausência de preocupação social e uma tendência preocupante para o autoritarismo parolo do tipo "made in Santa Comba", tendem a transformar este nosso "cantinho" numa fossa onde vêm desaguar todas as excreções mais nefastas das sociedades de mercado livremente selvagem: o lambebotismo, o nepotismo, o compadrio, a corrupção, os "bufos", enfim, uma sociedade baseada na injustiça e onde "os tribunais fazem parte do bando dos abutres" ( como dizia Brecht na maravilhosa e didáctica "A excepção e a regra").
 Um suão quente e triste varreu as praias deste país onde a meia dúzia de tugas a quem não foi roubado os subsídios de férias tenta convencer-se que o "estásse bem" é real e que isto vai melhorar por obra da Santa Engrácia padroeira dos palermas que sempre esperam acontecer e da Santa troika que no dizer dos mais entendidos, entre duas imperiais e as notícias do Record - ah se o grande Eusébio jogasse ainda, eram só medalhas - veio cá pôr ordem nesta merda.
 Até as sardinhas deram de frosques, cansadas de esperar por uma frota de barcos, que numa manhã de nevoeiro, vindas do ignoto buraco para onde, tempos atrás, Cavaco Silva  (que a ignorância e o mau gosto tornaram presidente) as mandou,  as venham pescar!!
 À noite há menos estrelas brilhando no céu, tempo de crise, sinal de poupança, neste jardim combustível, que mesmo tendo pouco para arder, todos os anos consegue queimar mais que no anterior, dizem as notícias e eu acredito, pois não há notícia de as notícias não serem verdadeiras e se fosse bem pago o melhor emprego de verão era o de bombeiro, trabalho não falta e tem entrada à borla nos bailes onde as meninas casadoiras e os seus pretendentes varões, se bamboleiam ao som das lamechices do Michael Carreira, ou do Tony, também Carreira de carreira já feita, seu pai, ainda mais choramingoso e arrebatado, assim numa onda romantico/licor de ginja, à venda em qualquer Continente perto de si.
 É este o nosso triste fado, tão triste que até já é património mundial, e cada vez há mais fadistas, dá-se um pontapé numa pedra e salta um rouxinol a trinar desgraças, não há família que não tenha dois ou três rebentos com tendências ou castiças ou marialvas, conforme o tamanho dos bigodes e onde estão implantados, meu senhor, António Calvário volta que estás perdoado, dizia eu mal de ti e da Madalena Iglésias e mal sabia para o que estava guardado, é isto mesmo, este país está fadado, eu estou fadado, estamos todos fadados, que me perdoem o Marceneiro, a Amália, o Camané, a Mísia e todos os que me encantam, mas estou farto de tanto me andarem a fadar o juízo com a história da desgraçadinha e do rei de Portugal que mesmo embuçado tinha e tem cara de parvo e um cavalo alazão que morreu vá-se lá saber com quê, olha, fadeu-se e pronto, foi o destino, que coisa horrível, tão injusto este destino, bem jogo no euromilhões e vou a pé a Fátima, a ver bem vou a pé para todo o lado que a gasolina está cara, mas nada sucede, destino ingrato, podia ir no cavalo, mas mataram-no com o fado...azar.
 Isto está longo e para quem não sabia o que dizer está demasiado longo. Não esquecer que eu sou apenas um humilde peixinho vermelho, lutando para não ser comido por estes tubarões meia tigela  que nos azucrinam a vida. Por isso, vou dar às barbatanas. Fiquem bem. Até breve.

Redfish

sábado, Julho 14, 2012

À Mafalda

Paro a olhar o tempo que passa veloz e vejo-me ainda o jovem que fui e teimo em ainda ser contigo nos braços, um monte de pele e ossos com uma cabecita num lado e 2 pés no outro, e eu embasbacado sentindo todo o peso do mundo nos teus 3 quilitos. Nem eu sabia no que nos tinha metido a mim e a ti, sem sequer te ter consultado. A minha querida cúmplice dormia placidamente(?) com uma pedrada anestésica pós cesariana e eu era o mais feliz e apalermado papá de Caldas da Rainha.
25 anos se passaram entretanto, e o monte de ossos é hoje uma linda mulherzinha que ajuda a embelezar os dias das nossas vidas. Muita coisa se passou desde então. Não estou nada orgulhoso deste país que te ofereci para viver, deste mundo louco em que te lancei. É o reverso de uma medalha com uma cara linda e uma coroa perversa. A esperança que se deposita na juventude é só balela quando de todas as formas se lhe barram os caminhos. Nós, que sonhámos um mundo melhor, sofremos ainda mais pela nossa gritante incapacidade de o construir, divididos por querelas e egoísmos fúteis, herança de outras guerras com as quais parece nada termos aprendido.
No meio disto tudo, tu e a tua irmã são dois diamantes que guardo cioso no meu coração. Gostava de vos ver sempre pequeninas e esconder-vos de todos o perigos. É possível ser-se mais egoísta que isto? Não sei. Sei que não é por mal. Somos assim, nem quando gostamos muito o sabemos fazer bem feito.
Nada é, contudo e ao contrário do que sempre nos querem fazer crer, irreversível. O tempo, talvez.  Por isso, há que o viver com gosto e prazer. Fá-lo. Sê feliz.
 Um beijo.