quinta-feira, dezembro 01, 2005

TRIBUTO A M.C.V.

Com a devida vénia e em sincera homenagem reproduzo aqui um texto de ´Mário Cesariny.

É importante foder (ou não foder)?

É evidente que não, não é importante.

Fode quem fode e não fode quem não quer.

Com isso ninguém tem nada

Mas mesmo nada

A ver

O que um tanto me tolhe é não poder confiar

Numa coisa que estica e depois encolhe,

Uma coisa que é mole e se põe a endurar e

A dilatar a dilatar

Até não se poder nem deixar andar

Para depois se sumir

E dar vontade de rir e d'ir urinar.

Isso eu o quiz dizer naquele verso louco que tenho ao pé:

«O amoré um sono que chega para o pouco ser que se é»

Verso que, como sempre, terá ficado por perceber (por

mim até).

Também aquela do «outrora-agora» e do «ah poder ser tu

sendo eu» foi um bom trabalho

Para continuar tudo co'a cara de caralho

Que todos já tinham e vão continuar a ter

Antes durante e depois de morrer

Aproveito esta oportunidade ( convicto de que Mário Cesariny não se importará) de dedicar este poema atodos aqueles que se têm oposto histèricamente a uma das poucas medidas decentes que este nosso governo tomou: a de retirar os crucifixos dos edifícios públicos.

Redfish

20 comentários:

cuequinha fio dental disse...

Isso só acontece porque o Zé Povinho só tá bem é a criticar.
Enquanto ainda vivermos no tempo em que se vota no partido que o padre disse na missa que era bom, vai haver sempre gentinha que vai querer ver o raio da cruz pregada num sitio bem alto, para que todos percebam que temos fézinha que a porra da vidinha melhore..
Mas é só fézinha, porque vontade de se fazer alguma coisa, não há nenhuma!
É este o brutal espírito "tuga" que ainda há uns dias me fez rir estrondosamente porque ouvi numa rádio qualquer um senhor padre egocentricamente falando "a religião é um símbolo nacional, Portugal é um país cristão e não se devem abolir os crucifixos das escolas". Ora com este brilhante comentário de um senhor padre que para além de negar a existência de outras religiões em Portugal, acha que um país têm de ter um contexto religioso e pior que tudo, que isso se reveja num símbolo nacional!
Os padres têm aulas de retórica, sabem falar em público, estudaram imenso, deviam ter formação para não dizer tamanhas baboseiras.. Depois tudo tem um final feliz como no recente filme do padre Amaro, que tão bem retrata a sociedadezinha “tuga” dos “brothers” dos guetos (porque eles existem não é só um mito urbano) e dos padres que comem a suposta beatazinha pudica e dos outros que vivem é para a pinga e para o cozido à portuguesa e das jovens que querem mandar no corpo e abortar, mas que não podem porque a igreja é supostamente contra, a não ser que o filho seja do padre.
Mas a questão não era de cinema e é pena que a ficção se aproxime tanto da realidade, porque essa questão da porra dos crucifixos só mostra que não há liberdade de escolhas neste país, que é uma democracia fingida e que andamos a brincar aos governantes. É que se por acaso eu for budista, quero reclamar que se as cruzes ficam, eu como cueca portuguesa tenho direito a expressar a minha religião e quero um Buda também lá pendurado e os outros também querem os símbolos da sua religião. Das duas uma: ou se tira essa porra toda, ou se colocam todas a outras! Agora limitarmo-nos a uma cruz porque é símbolo nacional?!? Por amor de deuzzz…símbolo nacional é a puta da bandeirinha que os cromos “tugas” têm nas varandas das casas ou nos bancos dos carros porque foram demasiado preguiçosos para as retirar depois do euro…

Cavaleiro Andante disse...

De CRUZ às costas.

Terá a importância que tem, ter ou não ter uma cruz...pouco importa o que se pendura na parede, ou o que se exibe na "montra"...só "compra" quem quer! Importante será pensar o que se passa por exemplo numa sala de aulas, com ou sem cruxifixo, com ou sem buda, com ou sem o que quer que seja. O importante é que a sala de aulas sirva para palco de um bom ensino,com bons professores que ensinem,estimulem e motivem os alunos que por lá passarem! Que cumpram todos a sua missão professores, alunos e famílias. Isto é que me parece ser o importante, o resto caberá a cada um tomar a decisão, ser católico, ser protestante ou não ser nada. Por muito que a montra mostre os seus símbolos, quem tem uma boa formação só compra o que quiser.
O importante é que o ensino seja BOM.

Dama Pé de Cabra disse...

Bem...se um diz mata o outro diz esfola....redfish e cuequinha particularmente agressivos hoje....que posso eu dizer? além de ser de muito mau gosto ter um gajo ensanguentado pregado com pregos a uma cruz, não me parece que a existências das cruzes nos ditos edifícios me afecte ou alguma vez me tenha afectado...é um facto que a religião católica é a dominante e isto acontece aqui desta forma, tal como aparecem os simbolos religiosos de outras tantas religiões, noutros países em que existem religiões maioritárias....também não me parece que as cruzes existentes me tenham desviado do meu ateísmo militante desde criança. O grande perigo reside na manipulação da vontade popular por parte dos membros da Igreja...o acenar com o castigo divino por parte de um deus cruel, punitivo e castrador...

TRONBA RIJA disse...

SER OU NÃO SER

O PROBLEMA QUE SE LEVANTA COM A EXISTENCIA DE CRUZES (canhoto?)EM SALAS DE AULA, NADA TEM A VER COM MENOS OU MAIS QUALIDADE DO ENSINO, COMO ALGUNS AQUI EXPRESSARAM.TEM,SIM A VER, COM O SIMPLES CUMPRIMENTO DA CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA QUE NOS DEFINE COMO UM ESTADO LAICO.NADA MAIS DO QUE ISSO.PARA DE FACTO EXISTIREM SIMBOLOS RELIGIOSOS EM ESCOLAS OU LOCAIS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICOS DEVERIAM SER GARANTIDOS TODOS OS DIREITOS À IGUALDADE DE TRATAMENTO A TODAS AS CONFISSÕES RELIGIOSAS E, COMO (PELOS VISTOS)ALGUNS DE NÓS SABEMOS, ISSO É E TEM SIDO TÁBUA RASA DE TODOS OS PODERES PÚBLICOS QUE , NÃO É POR ACASO, TÊM ESTADO AO SERVIÇO DA "PROTECÇÃO DIVINA..AMEN

Cavaleiro Andante disse...

O que se pretendeu dizer foi que parece ser mais importante a preocupação com a educação do que a preocupação com as "pendurezas" que hipotéticamente possam estar penduradas nas paredes das escolas. É mais grave a não observância dos direitos constitucionalmente consagrados nos artigos 43º(Liberdade de aprender e ensinar) e no CAPÍTULO III, Direitos e deveres culturais. Estes sim, matérias enformadoras da juventude deste País, sejam eles cristãos, não cristãos, ou lá o que muio bem entenderem, nem que seja o pacto com o demo...crático.

Dama Pé de Cabra disse...

Entre tirar o crucifixo ou encher as paredes com todo o tipo de símbolos religiosos de todas as religiões existentes, deve ser mesmo mais prático tirar o crucifixo...a gente não quer cansar os nossos jovens com excesso de informação ou informação que não possam absorver...poderíamos eram dedicar-mo-nos à tarefa de interpretar o significado de laico e tentar compreender se um Estado se pode arrogar esse Direito...isso sim, seria interessante..afinal mais de 80% da população portuguesa é católica ...não sejamos mais papistas que o papa!

Azul Cueca disse...

Cruz, credo !!! Vá de retro satanás…

Para quem não sabe a origem desta polémica ( será ?), a mesma decorre de um dos dramas dos tempos modernos. Perguntam vocês: Qual drama ? Digo eu, que as pessoas deixaram de ter sossego, isso é que é o grande drama. Neste caso em concreto, uma qualquer associação, esbracejando, não em agonia, mas espumando de raiva (porque não !?), apoiada na lei, pretende que sejam retirados todos os crucifixos espalhados pelas escolas do país...(de acordo com a comunicção social, e segundo apuramento governamental, estamos a falar de cerca de 20 escolas...não se riam que o caso é sério !) Permito-me comentar baixinho (como o poeta que do seu cantinho tudo observava) que além dos vampiros, dá ideia que os fanáticos do laicisismo (movimento oriundo da memória da expedição cientifica à lua ou ao espaço, da famosa cadela LAICA), não desejam que a rapaziada deste país se transformem em morcegos e desatem a voar janela fora com semelhante exibição de religiosidade. Também houve (aqui é mesmo assim que se escreve) quem tivesse afirmado que os ditos crucifixos deveriam ter sido retirados no 25 do quatro,(coitado nem mesmo depois de morto O deixam ficar sossegado, faz lembrar a anedota em que alguém O queria despregar da cruz, correndo o risco de cair dali abaixo...), na própria tarde. A minha posição pessoal? Retirem o que quiserem, e se quiserem enfeitem as paredes com as playmates do mês, com a Madonna, com o que quiserem. Lembrem-se que a existência de crucifixos nas escolas não se limita a uma exibição de religiosidade (graças a Deus !!). Temos de considerar de forma, nem sempre pacífica, que Portugal tem uma cultura e uma memória, à qual pertencem esses crucifixos que por aí andam. Então temos que questionar, dentro do mesmo comprimento de onda, as festas populares, os nomes de ruas, a estatuária pública, os feriados religiosos (são o terror do patronato). Não vejo qual seja o bom resultado (falo de votos e popularidade) que daria a proibição de festas populares que se instalam pelas aldeias, acabar com todos os nomes de santos e santinhos, estátua litúrgicas…e já agora, porque a onda continua a ser a mesma, acabar com as férias da Páscoa, de Natal, subsídio de Natal...Nem St. António, S.João,S.Pedro ou outro qualuer santinho valiam a quem por esse caminho trilhar. Imaginem acabar com Fátima !? Imaginem o desemprego que afectaria milhares de famílias ! Os crucifixos podem ser parte do país que temos e da civilização que somos, não devemos negar. Mas no fundo, de que vale falar de civilização perante gente incivilizada?

Dama pé de Cabra disse...

E pronto tinha que vir uma cuequinha vulgar de Lineu dar uma bofetada com luva de pelica nos anti-crucifixo.....não sabia que se tratava apenas de 20 Escolas...isso ainda torna o tal movimento mais ridículo....quanto aos feriados não enfio a carapuça...para mim a Páscoa é quando o coelho põe ovos....o Natal é quando o pai natal vai no comboio ao circo....o dia de todos os Santos é o Halloween...Fátima uma estância de veraneio para pirosos...etc...etc... a gente arranja desculpas para ter feriados na mesma e prontos....era o que faltava....sermos condenados a arder no Inferno e ainda por cima em vida não termos os nossos feriaditos para desopilar!!!
Falando de coisas mais sérias o Estado ser laico significa que não se deve imiscuir nos assuntos da religião, ou seja, trata-se de um cmpromisso entre duas institutições, o Estado e a Igreja,e como todos sabemos tanto um como a outra estão crise...o Estado Nação, por essa palavra quente "a globalização" e pela UE, enquanto a religião tem cada vez menos praticantes...as pessoas são vagamente religiosas...muito vagamente...a verdade é que o fundamentalismo religioso, quando existe, não se interessa pelo Estado mas sim pela sociedade..e depois para que um Estado seja laico tem de ser democrático, e não podemos de forma nenhuma dizer que a religião católica o seja...a religião católico tem um carácter hegemónico e totalitário que nada tem a ver com o conceito de democracia...na minha nada modesta opinião, diria que alguém se esqueceu de arrear esses crucifixos das 20 Escolas e mai nada...podemos acusar o nosso Estado de muita coisa, aliás de quase tudo...menos disso

Azul Cueca disse...

Pegando no tema pela última vez, e não como que desopilando (...será que desopilar significa tirar a ...de...não, não deve ser...), mas sim como uma simples opinião, discutível em todos os sentidos, ao que consta, durante a semana passada o ME enviou às escolas estatais instruções no sentido de remover os crucifixos das salas de aulas, daí toda esta pequena polémica. Por mero acaso (ou terá sido a intervenção divina??), a par desta acção gratuita, o tema da religião e da liberdade ocupou as linhas de vários jornais estrangeiros, designadamente ingleses. Li com alguma curiosidade uma crónica sobre religião no "Telegraph" da semana passada, assinada por William F. Deeds, ao que consta Lord. Curiosamente escreveu sobre as tentativas de apagar símbolos cristãos de locais públicos, como as escolas, e curiosamente comentou que esta atitude raramente tem a ver com o respeito pelas outras religiões. Resulta do sectarismo dos que são contra todas as religiões. Recordou no seu artigo uma reportagem que fizera, mesmo antes do milénio, a países onde a religião cristã era ou tinha sido severamente reprimida: Rússia, Cuba, Sudão e Paquistão. Observou então o seguinte: Todos estes países ilustravam de diferentes maneiras a indestrutibilidade do cristianismo. Quanto mais pequena a minoria, quanto mais severas as punições ou ameaças, mais forte era a fé.(...) Estes cristãos recordam-nos gentilmente que não é o fim do mundo se a nossa junta de freguesia insisir em substituir as "luzes de Natal" pelas "luzes de Inverno".
Uma coisa é certa: a mim ninguém me impõe qualquer divisão intelectual! Lá em casa tenho árvore de Natal com luzes e tudo!A separação sou eu que a faço.
Para mim Laico, continua a ser o marido da Laica.

Dama Pé de Cabra disse...

Entre duas cabriolices... e num aparte...só quero dizer ao excelso azul cueca que as luzes de Natal e a árvore de Natal têm a ver com o lado profano do Natal e não com o religioso...ainda se tivesse falado do presépio, ainda vá que não vá....

tromba rija disse...

apontamento unico: AZUL CUECA NÃO DEVERÁ SER SÓ NA COR...CÁ PARA MIM ACHO QUE DEVERIAS TER SAÍDO DE ALGUM ORFANATO DA MISERICORDIA PARA IRES À PEREGRINAÇÃO ULTIMA A LISBOA.TENHO DITO.....

Azul Cueca disse...

...Tromba Rija, se achas que te falta alguma coisa, andas à procura no sítio errado, por mim vai andando.

indio louco disse...

Pessoal mais grave do que o problema dos crucifixos nas escolas é concerteza o problema da foto do presidente da republica...
já viram o que é as nossas criancinhas terem de gramar com a foto do Cavaco...
cruz credo vá de retro...
Aumentava o insucesso escolar
Ug. Indio louco falou

Dama Pé de Cabra disse...

Uhggg grande chefe que não bate bem da bola...só temos que gramar a foto do Cavaco se o elegermos...e eu ainda tenho alguma esperança no bom senso das pessoas....please não agoures mais se não ainda convoco de urgência o General Custer!

Dama Pé de Cabra disse...

Mário Soares & Sampaio
— as máscaras na pequena política
por Miguel Urbano Rodrigues


Declarações abstrusas de Mário Soares e do Presidente da Republica aqueceram o frio quadro político português no período final da quadra festiva.

Ambas vão pesar negativamente na campanha eleitoral, pela confusão criada.

O primeiro descobriu subitamente que o Pais não poderá sair da actual crise sem "um governo de salvação nacional!". O segundo enxerga a salvação numa reforma do sistema eleitoral que "permita a estabilidade", através de maiorias absolutas. Por outras palavras, descobriu as virtudes democráticas do bipartidarismo.

Não compartilho o espanto da maioria dos analistas políticos.

Identifico em Mário Soares e Jorge Sampaio dois políticos empenhados, com níveis de consciência diferentes e discursos também diferentes, na defesa de um sistema de exploração que na juventude criticaram, mas ao qual se sentem umbilicalmente ligados: o capitalismo.

Mário Soares, pelas suas piruetas, apresenta uma trajectória mais sinuosa, e embora não se lhe conheça uma só obra séria (os seus livros são, no terreno do pensamento, antologias de lugares comuns) de criatividade ideológica, adquiriu como político notoriedade internacional por ser um comunicador e projectar a imagem do dirigente que pôs fim à Revolução Portuguesa.

Dele têm sido traçados perfis contraditórios que sugerem um percurso desconcertante que resultaria de ao longo da vida o seu corpo haver sido habitado por seres diferentes e ate incompatíveis.

Não o vejo assim. As contradições são aparentes.

A ultima metamorfose, posterior à agressão dos EUA ao povo iraquiano, impressionou muita gente. Mário Soares, que nunca havia condenado a estratégia imperial de Washington e, como primeiro ministro e Presidente da Republica, se comportara sempre como um aliado dócil de sucessivas administrações norte-americanas, apresentou-se inesperadamente como um critico duro de George Bush e da sua política criminosa.

É inegável que os efeitos dessa tomada de posição foram positivos. O mesmo ocorreu com a atitude assumida por Freitas do Amaral, não obstante a reflexão crítica deste sobre as consequências da estratégia irracional dos EUA ser muito mais elaborada e profunda do que a do fundador do Partido Socialista.

Não faltou quem interpretasse como guinada à esquerda a condenação por Mário Soares do genocídio iraquiano e os seus alertas sobre os perigos para a humanidade de um neoliberalismo globalizado que a pode levar ao abismo. Houve quem estranhasse também a sua súbita defesa de alianças à esquerda do PS.

Alguns dos comentadores de serviço na TV e nos jornais não hesitaram em falar de um "regresso às origens". Não cabe entrar no tema das origens de Mário Soares nem comentar as consequências nefastas das alianças que fez quando no poder.

O que se me afigura útil, sim, é lembrar que nas suas oscilações pendulares de superfície, Mário Soares somente preconizou aproximações com forças progressistas consequentes -- nomeadamente o PCP -- em situações históricas em que estas não dependiam dele.

Em momentos cruciais do processo revolucionário iniciado em Abril, a sua posição foi outra. No governo, mais tarde, fechou sempre a porta a acordos que traduzissem a vontade de mudança do povo, expressa nas urnas, ao levar à Assembleia da Republica uma maioria de deputados do PS e do PCP. Não hesitou então em aliar-se primeiro com o CDS, depois com o PSD.

A perda da memória é sempre negativa na história dos povos.

As criticas a Bush de Mário Soares não devem fazer esquecer que a sua opção ideológica de fundo permanece inalterada.

O general Vasco Gonçalves e Álvaro Cunhal, personagens que deixam marcas na história profunda do nosso pais, caracterizaram com rigor e serenidade em livros importantes o papel negativo que Mário Soares desempenhou na contra-revoluçao portuguesa.

Por si só, a amizade assumida do ex-presidente com Frank Carlucci é bem mais esclarecedora da sua ideologia e atitude perante a história do que as suas críticas de circunstancia à extrema direita bushiana.

Recordo aqui, apenas, o que Mário Soares respondeu à TSF [1] quando, depois de afirmar que Álvaro Cunhal não merecia a Ordem da Liberdade, defendeu a entrega de uma condecoração ao ex-director da CIA.

Nesse dia, o 26 de Abril de 1997, ao jornalista com quem falava disse entre outras enormidades, que "o Carlucci bateu-se pela liberdade (...) e os comunistas que vivem em total liberdade devem um pouco esse facto ao contributo que Carlucci deu para isso".

Sem comentários.

Poderá alguém estranhar que o admirador do "trabalho" realizado por Carlucci em Portugal, venha agora a público (enquanto faz criticas a Bush) lançar um apelo para a formação daquilo a que chama "um governo de salvação nacional", o que na prática seria a renovação da santa aliança que ele, Mário Soares, cimentou com a direita nos anos em que concebeu e comandou a ofensiva contra as conquistas de Abril?

Diferentes são as máscaras que Mário Soares utiliza. Mas, sob elas, o político do sistema não muda.

De algum modo a necessidade de protagonismo do actual Presidente da Republica levou-o, agora, a debitar asneiras que funcionam como complemento da opção de Mário Soares por um governo de "salvação", obviamente reaccionário. Em vésperas de um período eleitoral, a apologia do bipartidarismo confirma a caminhada para o direita de um pequeno político que na juventude julgou ser de "esquerda". Já ouvi qualificar Jorge Sampaio de Carmona do século XXI. Não me parece adequado o paralelo. O actual Presidente faz-me pensar num misto de Acácio e Abranhos.

Não me preocupa, entretanto, pelo tamanho do disparate, a sua fome de reformas que conduzam a "maiorias absolutas".

As ideias salvadoras de Mário Soares encerram maiores perigos, porque esse camaleão experiente continua a confundir gente ingénua.

Como comunista, desejo que o povo português conduza ao Parlamento muitos deputados do meu partido, para que o utilizem como tribuna de combate ao sistema vigente, uma ditadura da grande burguesia (sob a tutela da União Europeia) de fachada democrática. Pelo PCP farei campanha. Mas não tenho ilusões sobre o futuro imediato. Destas eleições sairá mais um governo de direita, porque com a actual direcção do Partido Socialista, que é de direita, o povo é olhado como inimigo e a política a ser executada será incompatível com as suas aspirações mínimas.

Não confundo os eleitores que têm votado no PS com Sócrates & Cia. Ltda. Centenas de milhares, a maioria, são cidadãos honestos, muitos acompanharam com esperança a arrancada da Revolução de Abril, e um grande numero desejaria ver o pais mudar de rumo.

Ajudar esses portugueses a compreender que neste ano de 2005 contribuir para evitar que um PS hegemonizado por políticos de direita mantenha e agrave a política de catástrofe e capitulação que aí está é uma tarefa difícil — mas também um grande desafio a assumir. Porque o voto autenticamente negativo, pior do que inútil, será o voto na continuidade do sistema.

A esperança não está para os comunistas na conquista do governo, impossibilidade absoluta. Ela se concentra num combate lúcido, sem ilusões românticas, um combate na fidelidade aos princípios que reforce nos trabalhadores a consciência de que o povo é o sujeito transformador da história e a certeza de que o capitalismo não é reformável, que está condenado, e a alternativa, sem data no calendário, é o socialismo.

Tromba Rija disse...

Não sei onde este escrito foi publicado, pois só agora tenho conhecimento dele mas, é exactamente o retrato que eu faço do Mário Soares, à luz do que vivi e das memórias que tenho, daquilo que ele representou de nefasto para o 25 de Abril e para a democracia participativa ao contrário da História que nos querem impor.Dama pé de cabra, se me permites, saiste-me (uma mulher?)uma cabra muito atenta.

Dama Pé de Cabra disse...

Teoria da Conspiração

Ora meu caro Tromba Rija...eu não "como" tudo o que me querem impingir (apesar de ter essa fama como cabrinha que sou)....também sei ler nas entrelinhas....e a verdade é que tanto o PSD como o PS estão de mãos dadas com o capitalismo internacional...para garantir a sua estada no poder, os pouco imaginativos portuguesinhos governam da mesma forma para agradar ao Big Brother, no fundo multinacionais capitalistas que os financiam. O verdadeiro cancro da sociedade, o capitalismo, para vencer, precisa de destruir todos os valores....será assim como uma postúla que facilmente infecta terrenos particularmente frágeis...nada como a democracia para facilitar a sua disseminação...paradoxalmente é nesse ambiente que a corrupção se instala..na verdade as ideologias políticas vão-se apagando por necessidade de obedecer às regras do mercado capitalista...será que o povo determina alguma coisa com o seu voto ou tudo já foi previamente encenado nos bastidores da política?
As decisões realmente importantes em Portugal são para bem de todos ou para manter no poleiro alguns? já falámos aqui por diversas vezes da influência dos media na determinação da opinião...não houve ninguém com quem tivesse falado que não achasse que no debate entre o Cavaco e o Louçã, o Cavaco foi completamente cilindrado, até houve quem chegasse ao cúmulo de dizer que estava com pena do Cavaco....o que é que os jornais disseram? o contrário...precisamente o contrário....porque é que um sacana como o Mário Soares aparece sempre com uma imagem simpática e bonacheirona quando isso é tudo aquilo que ele não é? Teoria da conspiração? absolutamente! os nosso destinos estão a ser cozinhados nas nossas costas!!!

tromba rija disse...

Já agora,que estão todos de férias, aproveito para endereçar a todos os que têm debitado muitos disparates neste sitio, os meus votos de uma boa festa de familia e que,pensem bem...deixem de dizer tantos disparates no próximo ano, pois nem sempre o menino jesus está disposto a dar (cavaco)a alguns de voçês.deus vos proteja e tenha piedade de vós. Amen.

Dama Pé de Cabra disse...

Cada um com a sua loucura...ao menos podemos dizer o que muito bem nos apetece....quanto ao menino Jesus espero bem que não nos dê Cavaco...va de retro Satanás (persigna-se 3 vezes)

Dama Pé de Cabra disse...

Esquerda Moderna

os críticos da esquerda moderna parecem entender que se trata de uma esquerda que rejeita a esquerda-esquerda, a esquerda tradicional estúpida obsoleta e a cheirar a suor da qual se quer distanciar...no fundo ser da esquerda moderna seria o mesmo que ser de direita mas com alguma utopia à mistura com ideiais sociais um pouco radicais demais para serem verdadeiramente encarados como de direita mas na verdade não tão diferentes assim...afinal onde estará a clivagem entre a direita neoliberal e a esquerda moderna com o seu charme discreto que lê as páginas de Economia dos jornais e faz planos para a sua conta poupança?
A verdade e que os ideiais comunistas que nos chegaram pela mão de Marx não são realizáveis no dia de hoje...há que dar a mão à palmatória.....a evolução da sociedade encarregou-se de nos provar a sua impossibilidade....só um modelo de socialismo caíu...o modelo totalitário....mas o socialismo pode ter muitas formas, pode-se regenerar e transformar...este tipo de socialismo em constante transformação que visa projectos plurais, a luta pelo associativismo,participação, e a social democracia. Porque convenhamos..quem se intitula social democrata na sociedade portuguesa não o é!
É asim que o mundo neste momento se encontra dominado pela hegemonia americana, que quer obrigar à lógica neo-liberal,mas uma modernização dependente, através da adopção do estilo de vida americana, o império dos media e o neoconolialismo cultural.As forças na nova hierarquia trazem-nos uma soberania limitada . É negada não só a soberania aos pequenos países mas também a identidade e os direitos individuais.