terça-feira, março 21, 2006




Já era de esperar. Uns dias de ausência e o Mundo aproveita para exagerar. Nada que não fosse esperado, ou seja, mais do mesmo a que os nossos olhos se foram infelizmente deixando de se abrir com horrorizado espanto. Massacres, Mentiras, Despotismo, Hipocrisia, Vigarice, Corrupção, tudo junto e embrulhado no pano mais conveniente ou mais convincente.
Contudo, há limites para esta cobarde aceitação deste estado de coisas. Sabemos bem que nem tudo é tão linear como parece, e que não há só uma verdade na história. Também sabemos que não há países fascistas, há é governos fascistas. E povos submetidos, que sofrem as ditaduras nos seus países, e as sanções dos "libertadores" depois.
Três anos e milhares de mortos depois, o Iraque é a prova cabal de que a História não pode ser contada só numa versão, mesmo que cheia de efeitos especiais e gajas boas, e gajos bons a comerem hot-dogs e a salvarem o mundo segundo São Bush o mais odiado " Salvador da Democracia" de sempre. Em todo o mundo, milhões de pessoas juntaram-se em centenas de manifestações em todos os países e condenaram esta sangrenta farsa e os seus autores. No dia 18, sábado, isso aconteceu também no nosso país. à escala do nosso egoísmo e falta de sentido de solidariedade, totalmente ocultado pelos média domesticados que por cá temos, mas aconteceu. Faltaram os democratas do costume, presos aos seus futebóis de sofá e comodismos de fim de semana. Afinal a guerra é lá longe, é lá com eles, e também os gajos são uns fanáticos, olhem lá a história das caricaturas do Maomé, eu ouvi de tudo para justificar ausências, para explicar esta negação do que mais sagrado há na missão que é estarmos vivos: viver com dignidade! Todo aquele que cala é cúmplice neste crime. Quantos mais milhões de crianças terão que morrer para que o Sr. Dr. Morais e Castro admita que errou, ao assumir a sua posição de subordinação aos interesses dos EUA e enquanto ministro dos neg. estranjeiros os tenha apoiado cegamente, (leal sabujo que ele é, tão lindo!!) e ainda hoje se recuse a admiti-lo! A Nato é uma organização totalmentecontrolada pelos américas, sem outra utilidade senão apoiar as políticas imperialistas e opressoras dos EUA e dos governos seus aliados. Que fazemos nós, portugueses, na Nato? Para que serve a Nato? Que fundamento tem, que valor acrescenta à democracia a Nato?
Em Falluja as bombas de fósforo queimaram democràticamente velhos e novos, pobres e ricos, homens, mulheres e crianças. Quem viu as imagens que os repórterres italianos captaram em Falluja e que as nossas democráticas televisões censuraram, não pode permanecer calado. Já é demasiado mau isto estar a acontecer. Temos de tentar impedir que se repita. Porque o Iraque não é tão longe assim. Porque Portugal também é conivente com a estratégia de mortandade organizada e a farsa democrática que ensanguenta todos os dias as nossas consciências. Durão Barroso diz agora que foi enganado. Isso não o torna menos responsável. E se foi enganado, então que chame os bois pelos nomes e diga quem o enganou, responsabilize quem o enganou. Pobre lambe-botas caricato, nunca terá coragem para isso! E que esperar do nosso actual governo, cujo silêncio grita tão alto? E do nosso actual e sempre tão interventivo Presidente Cavaco e do seu novo e brilhante séquito de conselheiros, gente tão democrata como ele, cheia de bons princípios, melhores meios e à procura de óptims fins? Eu por mim, só espero que nenhum Iraquiano daqueles rancorosos e que explodem por dá cá aquela palha faça por cá turismo e misture o trigo com o joio.
E não acho que esteja a exagerar. Se o estivesse, não seria compreensível as vistorias, apalpões, radiografias e outras explorações a que somos sujeitos sempre que pretendemos viajar em turismo ou trabalho a qualquer dos democráticos países ditos civilizados deste mundo. Os senhores estão mesmo acagaçados, e se fôr como eu penso, os de consciência mais pesada estão mais que os outros, e por isso interessa que sejam muitos a entrar na trama para dividirem o mal pelas aldeias... será que não é assim?? Será que isto é paranóia minha?
A todos os que amam a Paz e a Liberdade, envio, desta Leiria censurada, triste, encavacada, e egoista, o meu mais solidário e fraterno abraço e renovo o meu voto de justa indgnação.

Redfish


15 comentários:

Dama Pé de Cabra disse...

questão essencial na invasão do Iraque não foram as motivações e fundamentos que foram sendo invocados Bush , mas a necessidade de aproveitar o ambiente de combate ao terrorismo, para pôr termo à situação absolutamente insustentável, imoral a abjecta, que era a de manter os iraquianos impossibilitados de poderem beneficiar de mais de 40 mil milhões de dólares/ano de recursos financeiros, resultantes da venda de “crude”. A reintegração do Iraque na economia internacional, mantendo-se a o regime autocrático de Saddam, implicaria isso sim, um risco para toda a humanidade, por motivos que não importa estar aqui a invocar, mas que ressaltam à evidência. Acontece que a legislação internacional em vigor não apresenta saídas em termos da civilização dos direitos humanos e da liberdade individual (mas também do petróleo barato -seria imoral esquecer o facto), para impor ao Iraque, através da via militar, um regime que oferecesse garantias de que os recursos imensos do petróleo iraquiano, seriam afectados para a melhoria do bem-estar dos seus milhões de cidadãos e para a construção de um mundo mais harmonioso. Sabemos no entanto que as motivações de Bush são menos nobres, já que os imensos recursos do petróleo iraquiano irão acabar por tornar os americanos mais ricos e provavelmente nao fará dos iraquianos um pouco mais rico...Será que os raquianos ganharam alguma coisa com a intervenção dos EUA? Será que o facto do Iraque, onde se situam as segundas maiores reservas do melhor petróleo do mundo e ainda por cima, o mais barato não terá pesado "um pouco"?. Sobretudo nenhum país, grande ou pequeno, poderá ficar à margem nesta falsa guerra ao terrorismo ou seriam considerado como estando a ajudar "o inimigo".
Os representantes políticos ao serviço da classe dirigente bilionária confrontam-se com a maior e mais destrutiva fraqueza do capitalismo: a crise económica . Uma luta mundial cresce entre as potências imperialistas pelo controle dos mercados mundiais.
Tudo o resto, a história das armas de destruição maciça, as cantigas "para boi dormir" só serviram para justificar o injustificável, injustificável pelas motivações que estão por detrás das acções de Bush...afinal a "libertação" do Iraque era assunto de prioritária importância, difícil conceber que o Saddam continuasse a reinar impávido e sereno sobre um país amordaçado e amedrontado.

Dama Pé de Cabra disse...

Homenagem a Vinicius

Operário em construção

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as asas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato como podia
Um operário em construção
Compreender porque um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento

Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse eventualmente
Um operário em construcão.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma subita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão
Era ele quem fazia
Ele, um humilde operário
Um operário em construção.
Olhou em torno: a gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Nao sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua propria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro dessa compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele nao cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Excercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edificio em construção
Que sempre dizia "sim"
Começou a dizer "não"
E aprendeu a notar coisas
A que nao dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uisque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução

Como era de se esperar
As bocas da delação
Comecaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação.
- "Convençam-no" do contrário
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isto sorria.

Dia seguinte o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu por destinado
Sua primeira agressão
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras seguiram
Muitas outras seguirão
Porém, por imprescindível
Ao edificio em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo contrário
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher
Portanto, tudo o que ver
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse e fitou o operário
Que olhava e refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria
O operário via casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

- Loucura! - gritou o patrão
Nao vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martirios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construido
O operário em construção

Tromba Rija disse...

depois desta análise da dama pé de cabra,nada mais há a dizer.. que raiva; ainda por cima rematou logo a seguir com o operário em construção o que deu as mesmas possibilidades de resposta, daquela que o FCP, dará hoje ao meu SPORTING.

Dama Pé de Cabra disse...

Também és do Sporting?
Não percebi bem se concordas opu discordas de mim....explica lá

Anónimo disse...

Gosto imenso do Vinicius, fez-me bem, mão amiga trazer-me a este cantinho. Espero vir de vez em vez opinar e desopilar por aqui....e já agora há algum mal em ser do Sporting?

Um cão como todos os cães.

Tromba Rija disse...

Sem ofensa: diz-me lá dama pé de cabra.És loira,ou quê? claro que estou completamente de acordo contigo!... e já agora REAFIRMO-ME como SPORTINGUISTA!

Dama Pé de Cabra disse...

Entendi-te perfeitamente e fiquei muito honrada com a visita....espero que voltes
smldm

Dam Pé de Cabra disse...

Dama Pé de Cabra

Já vi que o pessoal aqui é todo do Sporting...assim não tem piada...eu gosto tanto de ser do contra....ké feito dos vermelhuscos?

Tromba Rija disse...

Faltaram os democratas do costume,presos aos seus futebóis de sofá e comodismo de fim de semana.Estas afirmações são feitas pelo redfish.Olha lá óh redfish..eu,tromba rija,deixei a minha pobre casinha aqui nos marrazes (como o nome indica),fui até à lisbia e encontrei povão de todo o lado menos de Leiria.O redfish, nem vê-lo! será que pensas que passas despercebido ? é que nem tu nem ninguem de Leiria.Todos os teus amigos revolucionários,contigo incluido,estiveram todo o santo dia de sábado no sofá a ver futebol(??). Afinal cumpre-se o dito popular que... PELA BOCA MORRE O PEIXE

Dama Pé de Cabra disse...

Tens razão....realmente as pessoas poderiam ter-se mobilizado muito mais para ir à manifestação....mas nós somos mesmo um povozinho comodista...se a manifestação fosse em França ou em Espanha seria diferente...agora cá? o portuguesinho já se desabituou de manifestações, ainda para mais quando não lhe disserem directamente respeito....e depois o Iraque fica lá tão longe....
mais um menos um, o que interessa, se mais uma vez os media não deram cobertura do assunto? (eu pelo menos vi jornal da noite da SIC com muita atenção e nem uma leve alusão)e depois 'tava um tempinho de Deus me livre...até deve ter borrifado um bocadinho...

Tromba Rija disse...

borrifado, foi aquilo que muitos "revolucionários" fizeram em relação a terem a oportunidade de se manifestarem contra a guerra e a ocupação e manifestarem a solidariedade que essas vitimas de agressão merecem.Nolocal,cara dama pé de cabra,acredita que não caiu uma gotinha de chuva que fosse..esteve uma tarde propícia à solidariedade.

Anónimo disse...

Caro e revolucionário Tromba Rija

Esta minha identidade anónima está descoberta. Já qualquer sportinguista sabe quem é o Redfish, o que é mau! E por não me terem visto na manifestação isso não infere que eu tenha estado a ver futebol. Aliás, pelo que sei, só houve futebol no Domingo! Ou o BENFICA não jogou só no Domingo? E mal, para mal dos meus pecados.
E só agora percebi a razão de ser da tua identidade ( pensei mais num exercício de publicidade enganosa!), mas então, para seres mais rigoroso, deverias alcunhar-te "O Repolho", verdadeira designação dessa gastronómica instituição hoje popularizada com o nome atribuído à magnífica feijoada com focinho de porco, que às 4ª feiras nos deliciava na velha tasquinha.
Adeus, e mantem-te teso!

Redfish

Anónimo disse...

AVISO IMPORTANTE

Atenção "revolucionários" entre aspas:
A partir de agora têm de ter atenção porque há pelo menos 1 revolucionário sem aspas que anda a topar se os "revolucionários" entre aspas cumprem os seus "deveres revolucionários" entre aspas, pois a revolução sem aspas só se faz com os revolucionários sem aspas.
Só faltava agora a KGB nos Marrazes!!!!

Redfish

Tromba Rija disse...

Voltar à vaca fria:
lê isto que escreveste redfish;( EU OUVI DE TUDO PARA JUSTIFICAR AUSÊNCIAS..)e mais à frente ..(TODO AQUELE QUE CALA É CUMPLICA DESTE CRIME)achas que me deveria calar ao detectar falsas moralidades? Cá o "repolho" não diz que fáz, fáz mesmo!Ainda pensei que argumentarias que a tua não presença na concentração,não te retiraria o direito de botar opinião,mas....tal como arranjas-te adjectivos para "desqualificar" quem não esteve lá,também a mim como resposta me chamas-te de AGENTE DO KGB(???)SIS(??)eu, Tromba Rija,"Marrazeno" de Gêma,continuo a acreditar que só a verdade é REVOLUCIONÁRIA e não a mentira.
Como vês, continuo teso e bem teso para tua satisfação.
Nada direi mais sobre esta questão.beijinhos

Redfish disse...

Eu sei o que escrevo, por isso não justifiquei a minha ausência nem afirmei presença.Esta não foi a 1ª nem há-de ser a ultima (infelizmente) das manifestações contra a guerra e infelizmente não sei se poderei ir a todas. Mas se não for não será de certeza por causa do futebol ou por não estar empenhado na luta. E não deixarei de manifestar a minha opinião. Aqueles que me importam sabem que se não estive lá foi porque não pude, e não me pediram justificação nenhuma. Essa é a grande questão: Ir para ser visto ou saber que mesmo não indo se pode sempre tomar posição. E isto não é falso moralismo. Quanto ao resto, revolucionária é a procura constante da verdade e da justiça, braços do mesmo tronco e que ninguém detém. Pois diz-se e com algum censo, que "com a verdade me enganas, ou, como dizia o Zeca, "diz-se a verdade a mentir".
E o que interessa é que para além destas discussões parvas estão os que diàriamente sofrem com os dislates e as ignomínias dos "senhores do mundo", e aí nós lutamos para demonstrar que a verdade que uns têm como certa é uma descarada mentira. Por isso acho correcto o encerramento da questão partir para coisas mais produtivas. Mantem-te teso mas não muito, só o q.b., não faças como o meu avô, que entesou e nunca mais se endireitou, está assim há mais de oitenta anos, conta quem sabe, que eu já não o pude verificar.
Saudações benfiquistas (eh! eh! eh!).

Redfish