domingo, outubro 21, 2007

Negócios






É disto que o meu povo gosta!
Aos milhares, empurrados pela Fé
ei-los que chegam e embasbacam com
a imponência do novo Santuário!
Dizem que custou 80 milhões
e foi pago a pronto, (essa construção
imponente tem algo a ver com a história
que pretende homenagear, a de três pobres e humildes
pastorinhos a quem supostamente a Mãe de Deus apareceu?)
o que nem é difícil de perceber, pois os crentes deixam lá
muito dinheiro, livre de impostos!
Esta Igreja de privilégios está cada vez mais afastada dos pobres
que diz defender!
Quanta obra poderia ser feita com o dinheiro que se esbanjou nesta
ostentação?

3 comentários:

Carmelita Descalça Vulgo Rendinhas e Veneno disse...

Acreditem ou não mas após 12 anos de viver em Leiria fui a Fátina pela primeira vez acompanhar um beato polaco...fiquei deveras impressionada (pela negativa, claro)....além de uma terrinha de Deus me livre, vim um santuário que é um monunento à piroseira com uma "coisa" tipo bunker gigante num dos topos que me disseram ser a nova basílica....as duas ou três ruas comerciais fizeram-me abrir a boca de tédio de tal modo são iguais a si próprias...uma autêntica fábrica de fazer dinheiro à custa das crendices populares....olhei de soslaio o novo bunker...ná.....ninguém me vai ver lá dentro....aquilo deve ser um "estupidificador" monumental...a gente entra por uma porta no estado normal e sai por outra a persignar-se, e evocar o Santo Nome de Deus em vão e não contentes com isso ainda damos duas voltas ao Santuário de joelhos com almofadinhas compradas no Jesus Shoping....

Snowmass disse...

Quando troveja temos duas hipóteses: colocamos pára-raios ou rezamos a Santa Bárbara. Como os políticos não arranjam pára-raios para este país, acho que fizeram bem em contruir esta igreja. Quanto à pobreza, esta não se combate com caridadezinha como o autor do post faz entender! Essa é a mensagem arcaica de uma igreja arcaica. Meu amigo a Igreja de hoje é mais ambiciosa: moderniza-se, avança, actualiza-se, investe, enquanto os papalvos dos detractores vêm a banda passar! Depois queixem-se e digam que é negócio! Tenho dito.

Leiria em Cuecas disse...

Há dois caminhos que eu não quero pisar:
1º- Não julgo a fé, nem a opção religiosa de ninguém. Para mim, a opção Fátima (multinacional) ou a Santa da Ladeira (mais artesanal) são ambas faces da mesma moeda. A exploração a todos os níveis (sobretudo o económico, é visível!)da crença dos que acreditam que poderão ser amparados no seu sofrer.
O tipo de contrato que o crente estabelece com o poder divino também poderia ser motivo de análise, e talvez se encontre muito mais de pagão neste ritual
do pago o que devo com o meu sacrifício, do que seria de esperar (ou não?)
2º- Não quero isolar o negócio de Fátima do contexto político.
Quem sempre evoca o carácter humanitário, desinteressado e protector das suas acções é a igreja (católica). Ela justifica os benefícios de que tem sido alvo,
(ainda hoje a Universidade Católica que é uma Univ. privada como qualquer outra veio a terreiro reclamar de um provável corte de um subsídio que recebe e que não se percebe bem porquê!!)como por exemplo a nível de impostos, com o carácter social da sua obra(caridade, chamou-lhe snowmass e eu até posso estar de acordo)! A Igreja Moderna excomunga os padres que se destacam na defesa dos (muitos e muito) pobres da América Latina, os tais da Teologia da Libertação? O problema do celibato pode parecer um problema de cariz interno, mas não o é. Nem sempre o celibato foi uma regra.Apenas na Idade Média isso foi imposto, assim como a negação do sacerdócio às mulheres é característica de uma visão reaccionária do mundo e que de moderno nada tem. Para não falarmos da preservação do pensamento católico sobre o preservativo. Modernices, que os papalvos dos detractores continuam a ver passar, pois os tais pàra-raios continuam a ser os políticos do poder que de braço dado com o poder eclesiástico se v~em governando à custa dum povo crédulo, inculto e a braços com muitas dificuldades.
Ita missa est
Amen!

Redfish

PS- Para que conste, a célebre Concordata ainda não foi revogada!
33 anos após a Abrilada, isto dá que pensar!!