sexta-feira, junho 15, 2007

Leiria, 14 de Junho de 2007, 13 horas.Luto

Dois trabalhadores morreram soterrados numa obra, na Rua Paulo VI, em Leiria.

Desde Janeiro/07, tinham ocorrido derrocadas nas traseiras da obra, na Rua Arnaldo Cardoso e Cunha, tendo os moradores e a imprensa local alertado para o perigo eminente da ocorrência de um acidente. Houve um período em que esta rua esteve condicionada ao trânsito. Com a continuação imprudente das obras e com a acção da chuva, não se tendo tomado as necessárias precauções, o imprevisto tornou-se inevitável.

As vítimas de 39 e 44 anos deixam órfãos, respectivamente, um menino de 8 anos, e uma rapariga de 15 anos e um rapaz de 12 anos.

Os "colarinhos brancos" já estão a sacudir a responsabilidade do capote! Como se previa e é habitual. Falam de "erro técnico"!

No fim da obra alguém terá o respectivo lucro. Também é habitual. E a memória não será de elefante.

As famílias terão o seu luto. Como habitual...

Em memória dos que partiram fica esta homenagem! Nada vale!


5 comentários:

Anónimo disse...

Tem razão,mas o mexilhão é que paga e vota para esta elite ,a fina flor do entulho!

pedro disse...

O impressionante é que com os conhecimentos técnicos que existem hoje, com os equipamentos de segurança que existem tragédias destas continuam a acontecer.
Talvez seja a nossa tradicional cultura do desenrasque...
talvez seja má planificação das obras... talvez seja incuria dos responsáveis... talvez a pluviosidade anormal que se fez sentir tenha parte das responsabilidades... se querem saber não importa.. o que importa é que neste acidente se perderam duas vidas, mais duas vidas que se juntam a esta tragédia dos acidentes de trabalho, uma tragédia que não é de hoje e em relação à qual nehnum de nós pode ficar impune enquanto perdurar esta cultura de desenrasque e de corrupção e de responsabilização de todos menos de nós que nos é propria.
os meus pesames as familias. Essas sim as únicas que realmente perdem.

Pedro

pedro disse...

deixei um comentário no post "intervalo"

pedro

Snowmass disse...

Agradeço a honra de ter divulgado o meu post. Disponha sempre que lhe aprouver!

Rendinhas e Veneno disse...

Sócrates o ditador



por António Barreto




«A saída de António Costa para a Câmara de Lisboa pode ser
interpretada de muitas maneiras. Mas, se as intenções podem ser
interessantes, os resultados é que contam.



Entre estes, está o facto de o candidato à autarquia se ter afastado
do governo e do partido, o que deixa Sócrates praticamente sozinho à
frente de um e de outro. Único senhor a bordo tem um mestre e uma
inspiração. Com Guterres, o primeiro-ministro aprendeu a ambição
pessoal, mas, contra ele, percebeu que a indecisão pode ser fatal.



A ponto de, com zelo, se exceder: prefere decidir mal, mas
rapidamente, do que adiar para estudar. Em Cavaco, colheu o desdém
pelo seu partido. Com os dois e com a sua própria intuição
autoritária, compreendeu que se pode governar sem políticos.



Onde estão os políticos socialistas? Aqueles que conhecemos, cujas
ideias pesaram alguma coisa e que são responsáveis pelo seu passado?
Uns saneados, outros afastados. Uns reformaram-se da política, outros
foram encostados. Uns foram promovidos ao céu, outros mudaram de
profissão. Uns foram viajar, outros ganhar dinheiro. Uns desapareceram
sem deixar vestígios, outros estão empregados nas empresas que
dependem do Governo. Manuel Alegre resiste, mas já não conta.



Medeiros Ferreira ensina e escreve. Jaime Gama preside sem poderes.
João Cravinho emigrou. Jorge Coelho está a milhas de distância e vai
dizendo, sem convicção, que o socialismo ainda existe. António
Vitorino, eterno desejado, exerce a sua profissão.



Almeida Santos justifica tudo. Freitas do Amaral reformou-se. Alberto
Martins apagou-se. Mário Soares ocupa-se da globalização. Carlos César
limitou-se definitivamente aos Açores. João Soares espera. Helena
Roseta foi à sua vida independente. Os grandes autarcas do partido
estão reduzidos à insignificância. O Grupo Parlamentar parece um
jardim-escola sedado. Os sindicalistas quase não existem. O actual
pensamento dos socialistas resume-se a uma lengalenga pragmática,
justificativa e repetitiva sobre a inevitabilidade do governo e da
luta contra o défice. O ideário contemporâneo dos socialistas
portugueses é mais silencioso do que a meditação budista. Ainda por
cima, Sócrates percebeu depressa que nunca o sentimento público
esteve, como hoje, tão adverso e tão farto da política e dos
políticos. Sem hesitar, apanhou a onda.



Desengane-se quem pensa que as gafes dos ministros incomodam Sócrates.
Não mais do que picadas de mosquito. As gafes entretêm a opinião,
mobilizam a imprensa, distraem a oposição e ocupam o Parlamento. Mas
nada de essencial está em causa. Os disparates de Manuel Pinho fazem
rir toda a gente. As tontarias e a prestidigitação estatística de
Mário Lino são pura diversão. E não se pense que a irrelevância da
maior parte dos ministros, que nada têm a dizer para além dos seus
assuntos técnicos, perturba o primeiro-ministro. É assim que ele os
quer, como se fossem directores-gerais. Só o problema da Universidade
Independente e dos seus diplomas o incomodou realmente. Mas
tratava-se, politicamente, de questão menor. Percebeu que as suas
fragilidades podiam ser expostas e que nem tudo estava sob controlo.
Mas nada de semelhante se repetirá.



O estilo de Sócrates consolida-se. Autoritário. Crispado. Despótico.
Irritado. Enervado.



Detesta ser contrariado. Não admite perguntas que não estavam
previstas. Pretende saber, sobre as pessoas, o que há para saber.
Deseja ter tudo quanto vive sob controlo.