segunda-feira, junho 04, 2007

O Trono de Brecht

Quem é que se atreve a dizer que eu não tenho razão?`
É ou não é verdade que sempre que falamos nisto dá sempre o mesmo resultado?
o pouco que eu sei é contudo suficiente para perceber que não vamos a lado nenhum, e não me venham com conversas acabadas sobre a imponderável certeza da existência Divina e as dívidas de gratidão aos Céus, pois desde a pré-história que floresce esta carinhosa mentalidade que onera ao Senhor o traçado do destino, mestre da sorte e do azar com que nos condenam a ser sempre os mesmos borra-botas, o senhor me perdoe e a Virgem me acuda, mas a solidão nunca foi boa conselheira e nós vivemos 48 anos orgulhosos dela e dos lusíadas sem o capítulo X porque tinha umas cenas que mesmo em verso desatinavam com os neurónios dos senhores censores, que estavam assim para a cultura como o Sócrates para a engenharia ou o Ameida Santos para as pontes, e qualquer turista que nos visitava, a nós, pequeninos, pobrezinhos mas honrados, "oh! um português, e mexe! Muito típico, quanto custa?" e levavam-nos para os confins desses continentes, devidamente etiquetados, tarimbados e depois explicados conforme o aprumo da observação efectuada ou o interesse cultural que motivávamos.
Nada disso terá verdadeiramente importância se o Al Gore tiver razão, pois o mundo acaba num ápice e além disso com a proibição de fumar nos sítios onde nos dá mais prazer, quem é que quer viver, a fazer o quê, digam-me lá, a nicotina tem alguma coisa de mal se a compararmos ao flagelo do Sol nas nossas praias, o que vendo bem também vai brevemente deixar de ser um problema porque também estamos a ficar sem praias, o que é bom porque reduzem o número de cancros de pele, e se o mar avançar como deve ser talvez engula o Magalhães Pessoa e a Ribeira dos Milagres, embora seja chato porque também ia pró galheiro o bocadito da Auto-estrada que os 150 gajos do costume vieram inaugurar com pompa, Isabel Damasceno e circunstância, viva o governo, a Câmara e o Espírito Santo, que não é aquele da desculpa que a D. Maria deu ao tanso do Sr. José quando apareceu grávida e ramelosa lá na carpintaria, mas o Banco, que de santo não tem nada, mas perante quem, por via das dúvidas ( dívidas), há muito quem se ajoelhe .
Questões que se me põem quando me sento na sanita, e me esforço para saber qual o sentido disto tudo, a vida como uma tômbola, girando ao contrário dos nossos interesses numa jogada onde o que apostámos é sempre muito mais do que o que eventualmente possamos ganhar, se é que alguma hipótese disso tenhamos: a vida.

Redfish


4 comentários:

Rendinhas e Veneno disse...

Não diria Brecht mas certamente muito ao estilo do Sttau Monteiro!! as tuas considerações sobre a vida levaram-me ás longínquas redacções da Guidinha, tudo sem pontuação, num atropelo de considerações infantis mas cruelmente verdadeiras de uma menina do Bairro popular da Graça, curiosamente inventada por um snob cheio de charme como o Sttau Monteiro! é verdade, precisamente porque a vida não vai dar a lugar nenhum e porque raramente vemos os nosso esforços compensados e porque são sempre os sacanas a estar na mó de cima, foi por isso, dizia eu, que inventámos a religião...a religião dá-nos aquela sensação reconfortante de que quando morrermos seremos compensados de todas as agruras desta vida e que o sacana que passa por nós todos os dias se não se lixar em vida vai padecer uma eternidade no inferno...se juntarmos a isto a tendência para auto comiseração e o fatalismo presente em todo o português (em ti também) somos mesmo obrigados a fazer considerações de merda...cá por mim se o mundo vai acabar brevemente vou aproveitar a minha vida ao máximo porque não tenho outra e vivê-la o mais intensamente possível!

Trotsquista de salão disse...

Trotsquista de Salão


Psiuuu peixito....ouvi dizer que foste eleito para um trono desses...vamos lá ver o que vai ser produzido laboriosamente desse trono...não me contenho de ansiedade (boceja delicadamente)

Asa Esquerda disse...

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

"As fábulas de Esopo são uma coleção de fábulas creditadas a Esopo (620—560 a.C.), um escravo e contador de histórias que viveu na Grécia Antiga. As fábulas de Esopo tornaram-se um termo branco para coleções de fábulas brandas, usualmente envolvendo animais personificados. As fábulas remontam uma chance popular para educação moral de crianças hoje. Há muitas histórias incluídas nas fábulas de Esopo, tão como A raposa e as uvas (de que o idioma "uvas verdes" foi derivado), A tartaruga e a lebre, O vento norte e o sol e O menino que criava lobo, são bem conhecidas pelo mundo afora. No século III d.C. Apolônio de Tiana, o filósofo do século I d.C. recordou como tendo dito sobre Esopo:"

Na finura de uma citação branda se vislubra uma ignorante forma de desconhecimento. A sabedoria cognitiva é uma natural forma de vida, de quem simple ouve, simples cita e simplesmente conhece.

Rendinhas Voadoras disse...

Já que estamos a recorrer à Wikipédia fica sabendo que o La Fontaine a reescreveu séculos mais tarde sendo voz comum ser ele o autor...eu estudei sempre numa Escola Francesa, o Charles Lepierre, onde apreendíamos as Fábulas de La Fontaine, e onde obviamente se lhe imputava a autoria....quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto e as informações que nos são transmitidas dependem sempre dos interesses do emissor e da sua perspectiva...apesar de tudo ficava-te melhor fazer esse comentário no post anterior, aqui está no contexto errado....up up and away..............