domingo, julho 15, 2007

Zé Brito

Ao Zé Brito


Por conseguinte

Eras artista
Assim a dar para o literato
Eras bom copo e bom prato
Por conseguinte
Um tanto surrealista

Eras poeta
Vivias nas fantasias
Porque tu é que sabias
Por conseguinte
Marimbavas nesta treta

Por conseguinte
Foste andando
Foste a vinte
E aposto conseguiste
A Poesia alcançar
Por conseguinte
Sabemos que não paraste
Nem o caminho perguntaste
Já sabias lá chegar

Imaginavas
Que eras revolucionário
Assim pró contestatário
Por conseguinte
Por vezes desatinavas

E até cantavas
Destemido cantador
Baladeiro sonhador
Por conseguinte
Mesmo se desafinavas

E questionavas
Sobre tudo curioso
Perguntador furioso
Por conseguinte
Às vezes até fartavas

Mas cá a malta
Sabe bem que eras amigo
Estava-se bem contigo
Por conseguinte
Sentimos a tua falta.


David Teles

1 comentário:

pedro disse...

uma bonita homenagem para alguem que viveu a vida de forma livre e peculiar, alguem que a seu modo soube trlhar o seu caminho como ninguem e que talvez por isso todos estimavamos e conheciamos... mesmo sem as vezes te conseguirmos compreender.

camarada zé brito ... vou ter saudades das conversas sobre o socialismo, daquela tua persistencia para que levassem os teus textos para lisboa, do teu despreendimento e claro dos "por conseguintes" com que só tu sabias ligar as frases.
que a pradaria dos poetas te tenha recebido como mereces..
fica a certeza que se ser poeta é ir morrendo letra a letra, quando um poeta morre a vida continua nos seus textos, pois morrer duas vezes é nascer..
assim espero encontrar-te em breve nos teus textos.
abraço